A PF cumpre sete mandados de prisão e 25 de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e no Distrito Federal
Por Misto Brasil – DF
A Polícia Federal prendeu nesta terça-feira (18) Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em sua casa em São Paulo.
A detenção faz parte da operação Compliance Zero, deflagrada para investigar a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional.
Ao todo, a PF cumpre sete mandados de prisão e 25 de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e no Distrito Federal. As ordens judiciais foram expedidas a partir de um inquérito iniciado em 2024, após requisição do Ministério Público Federal.
Segundo as investigações, uma instituição financeira teria fabricado carteiras de crédito sem lastro e vendido esses ativos a outro banco. Após fiscalização do Banco Central, os títulos foram substituídos por novos papéis, também sem avaliação técnica adequada.
Os agentes apuram possíveis crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa, entre outras infrações relacionadas à suposta manipulação de carteiras de crédito. A PF segue analisando documentos e materiais apreendidos para avançar nas apurações.
Também está sendo investigado o Banco de Brasília (BRB), que recentemente tentou comprar o Master numa operação aprovada pela Câmara Legislativa, mas barrada pelo Banco Central.
A justiça determinou o afastamento do presidente do banco estatal, Paulo Henrique Costa. Também está sendo cumprido ummandado de busca e apreensão na casa do presidente do BRB.
Banco Central decreta liquidação extrajudicial
O Banco Central (BC) anunciou nesta terça-feira (18) a liquidação extrajudicial do Banco Master. Pelo termo, assinado por Gabriel Galípolo, presidente do BC, também é decretada a liquidação judicial da Master SA Corretora de Câmbio. A EFB Regimes Especiais de Empresas foi nomeada liquidante, com amplos poderes de administração e liquidação.
Também nesta manhã, a Polícia Federal prendeu o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, em São Paulo.
A liquidação acontece quase um mês após o BC ter vetado a oferta de compra de uma fatia do Master pelo Banco de Brasília (BRB), operação que estava em análise desde março.
Com a decisão, o BC também põe fim à negociação do Master com o Grupo Fictor, anunciada na noite de segunda-feira (17).
A medida extra judicial
A liquidação extrajudicial é uma medida adotada pelo Banco Central quando se constata que não há um plano viável para a recuperação da instituição.
Nesse regime de resolução, o funcionamento do banco é interrompido, e ele é retirado de forma organizada do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Isso significa que todas as atividades operacionais são suspensas, assim como todas as obrigações do banco, que passam a ser consideradas vencidas.
Não há prazo determinado para o encerramento da liquidação. O processo é encerrado por decisão do Banco Central ou pela decretação da falência da instituição.
Com a liquidação, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) passa a ser responsável por ressarcir os credores do Banco Master, respeitando o limite máximo de cobertura estabelecido pelo fundo. (Com informações do Estadão, de agências noticiosas e do InfoMoney)
Nota da Polícia Federal
A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (18/11), a Operação Compliance Zero, com o objetivo de combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional.
Policiais federais cumprem cinco mandados de prisão preventiva, dois mandados de prisão temporária e 25 mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares diversas da prisão, nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e no Distrito Federal.
As investigações tiveram início em 2024, após requisição do Ministério Público Federal, para investigar a possível fabricação de carteiras de crédito insubsistentes por uma instituição financeira. Tais títulos teriam sido vendidos a outro banco e, após fiscalização do Banco Central, substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada.
Estão sendo investigados os crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária, organização criminosa, entre outros.


