Entenda a cronologia dos protestos que acontecem no Irã

Irã protestos manifestação Misto Brasil
Milhares de pessoas participam de um protesto cobtra o governo iraniano/Reprodução vídeo
Compartilhe:

Desde 1999, o Irã vivenciou repetidas vezes grandes movimentos de protesto, em sua maioria pacíficos, que foram reprimidos violentamente

Por Misto Brasil – DF

Os protestos iniciados em dezembro do ano passado que se espalharam para várias cidades iranianas foram inicialmente motivados pelo aumento do custo de vida e pela alta da inflação. No entanto, as manifestações logo refletiram a crescente insatisfação de segmentos cada vez maiores da população com o sistema político do país.

Mais de 500 manifestantes foram mortos em confrontos com as forças de segurança desde o início dos protestos, segundo entidades de direitos humanos que acompanham a situação do país.

O levantamento e o texto é da Agência DW.

Leia: Trump anuncia tarifas contra o países que negociam com o Irã

A polícia e as milícias paramilitares Basij – unidades voluntárias subordinadas à Guarda Revolucionária Iraniana – se mantêm em prontidão para serem mobilizadas a qualquer momento para reprimir os protestos.

A Guarda Revolucionária é um aparato militar independente, diretamente subordinado ao líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei. Sua missão é proteger a República Islâmica. A polícia e a Guarda Revolucionária têm décadas de experiência na repressão de manifestações.

Desde 1999, o Irã vivenciou repetidas vezes grandes movimentos de protesto, em sua maioria pacíficos, que foram reprimidos violentamente.

O que esses movimentos de protesto em todo o país têm em comum é a profunda insatisfação com a República Islâmica entre segmentos cada vez maiores da população. A liderança política é acusada de não ter vontade ou capacidade de atender às demandas da sociedade.

Em vez disso, o Estado se apoia em medidas repressivas, como ataques direcionados e a demonização de qualquer movimento de oposição que tenha potencial para unir e mobilizar as pessoas.

Devido à falta de coordenação e liderança, os protestos foram repetida e brutalmente reprimidos. Um grande número de ativistas políticos está preso ou sendo forçado a deixar o país. O desfecho dos protestos atuais ainda é incerto.

Julho de 1999 – protestos estudantis

O estopim dos protestos foi o fechamento do jornal reformista Salam, contra o qual estudantes em Teerã protestaram inicialmente de maneira pacífica.

Na noite de 8 de julho daquele ano, as forças de segurança invadiram um dormitório estudantil e mataram pelo menos um estudante. A ação desencadeou protestos em todo o país que duraram vários dias.

As milícias Basiji reprimiram violentamente os manifestantes. Ao menos mais quatro pessoas foram mortas, alguns estudantes desapareceram sem deixar rastro e entre 1.200 e 1.400 pessoas foram presas.

Junho de 2009 – Movimento Verde

Após uma polêmica eleição presidencial, protestos em massa irromperam por todo o país, ficando conhecidos como o Movimento Verde. Milhões de iranianos questionaram os resultados oficiais da eleição e acusaram o governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad de fraude eleitoral. O verde era a cor da campanha de seu adversário, Mir Hossein Mousavi.

As manifestações, inicialmente pacíficas, se transformaram nos maiores protestos desde a Revolução Islâmica de 1979. As forças de segurança, a Guarda Revolucionária e as milícias Basij usaram força excessiva contra os manifestantes. Inúmeras pessoas foram mortas ou feridas, e milhares foram presas.

Novembro de 2019 – preços dos combustíveis como estopim

Protestos em todo o país abalaram o regime mais uma vez. O estopim foi um aumento drástico e repentino nos preços dos combustíveis. As manifestações, que rapidamente se espalharam por mais de 20 cidades, foram brutalmente reprimidas em pouco tempo.

Além das reivindicações econômicas, slogans cada vez mais políticos foram entoados, incluindo apelos diretos à derrubada do líder Ali Khamenei.

As forças de segurança reagiram com extrema violência. Os eventos ficaram conhecidos na história recente do país como Novembro Sangrento.

Setembro de 2022 – Mulher, Vida, Liberdade

A morte da jovem curda Jina Mahsa Amini, de 22 anos, desencadeou novos protestos em todo o país. Ela morreu sob custódia das autoridades após ser presa pela polícia da moralidade por uma suposta violação das normas sobre o uso do véu islâmico, o hijab.

O que começou como manifestações contra a brutalidade policial e a obrigatoriedade do uso do hijab rapidamente se expandiu para um amplo movimento de protesto contra o sistema político como um todo.

Sob o lema Mulher, Vida, Liberdade, muitos jovens participaram dos protestos, principalmente as mulheres que se rebelaram contra o hijab obrigatório. O governo respondeu com repressão massiva, as forças de segurança usaram munição real contra os manifestantes.

Milhares foram presos e inúmeras pessoas foram mortas.

Dezenas de jovens manifestantes foram condenados à morte em julgamentos sumários. Os protestos duraram meses e representaram um dos maiores desafios para a República Islâmica em décadas.

Dezembro de 2025 – crise econômica desencadeia protestos

Até o momento, ao menos 572 pessoas morreram nos protestos que começaram em 28 de dezembro devido à crise econômica e que vêm se multiplicando desde então por mais de uma centena de cidades de todo o país, segundo informações da ONG Human Rights Activists News Agency (Hrana).

As manifestações continuaram a se espalhar mesmo com os apagões na internet e falhas na cobertura telefônica em todo o país. Os protestos contra a crise econômica se tornaram um movimento de críticas à República Islâmica e o aiatolá Ali Khamenei.

O presidente dos Estados Unidos,Donald Trump, vem ameaçando repetidamente intervir caso a força seja usada contra os manifestantes.

Informativo Misto Brasil

Inscreva-se para receber conteúdo exclusivo gratuito no seu e-mail, todas as semanas

Assuntos Relacionados

DF e Entorno

Oportunidades




Informativo Misto Brasil

Inscreva-se para receber conteúdo exclusivo gratuito no seu e-mail, todas as semanas