Escolas jovens disputam a Série Ouro do Rio de janeiro

Carnaval 2025 Beija-flor campeão Misto Brasil
A escola foi novamente campeã do Carnaval no desfile no Rio de Janeiro/Arquivo/Beija-flor
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Entre as “novinhas” está a União de Maricá, fundada em 2015 e a escola de samba Botafogo Samba Clube

Por Ana Cristina Índio do Brasil – RJ

Ao lado de medalhões do Carnaval como Império Serrano e Estácio de Sá, escolas de samba bem mais jovens estão na disputa do Carnaval da Série Ouro do Rio de Janeiro e desfilam neste sábado (14).

A vitória vale uma vaga no Grupo Especial em 2027.

Entre as “novinhas” está a União de Maricá, fundada em 2015. A escola vai desfilar pela terceira vez na Série Ouro em 2026 e traz um carnavalesco de peso: Leandro Vieira, que foi campeão do grupo com a Império Serrano, em 2022, e já coleciona os títulos no Grupo Especial: 2016 e 2019, com a Mangueira, e 2020, com a Imperatriz Leopoldinense.

Na Maricá, o enredo deste ano será Berenguendéns e Balangandãs, uma ideia antiga que o carnavalesco carregava que, segundo ele, vem na esteira de contar “um pouco a história que a história não conta”, uma referência ao enredo da Mangueira em 2019.

Balangandãs são um artigo da joalheria negra produzida no Brasil, contou Leandro, mas o enredo olha para muito além da ideia de ornamento e objeto decorativo.

Conforme explicou, existe, por trás do balangandã, uma história de identidade, rebeldia e transgressão, que é protagonizada por mulheres pretas que, com o ganho diário, acumularam joias transmutadas em uma espécie de poupança.

“Possibilitaram que tivessem um acesso a uma liberdade construída por elas mesmas, e não uma concedida, como reproduz a maior parte do imaginário sobre a liberdade negra no Brasil”, pontuou.

Para o carnavalesco, ao ser afirmativo, este é um enredo que tem um caráter pedagógico “por olhar para esta história de luta e transgressão com interesse de popularizar uma ideia que pode ser motivo de orgulho para uma comunidade”.

Na visão de Leandro, a Maricá é uma escola que, cada vez mais, entende a importância do seu território e da participação da comunidade na construção dessa ideia.

“Toda escola de samba, todo projeto de carnaval é, antes de qualquer coisa, uma ideia e, quando uma ideia é abraçada por muitas pessoas com a intenção de defender um território, essa ideia vai se agigantando”, disse.

“A Maricá traz a ideia de investimento aplicado ao Carnaval, mas, sobretudo, traz a ideia de uma comunidade que cada vez mais toma partido, pega a escola no colo com a intenção de fazer parte dessa história, fazer parte dessa ideia, de fazer com que essa ideia dê certo”, completou.

Estrela solitária da avenida

A escola de samba Botafogo Samba Clube, criada em 2018, estreou na Série D, no ano seguinte, desfilando na Passarela Popular do Samba da Intendente Magalhães, na zona norte do Rio.

Depois de ascender à Série Prata, chegou a Ouro em 2025, se tornando a primeira escola ligada a um time de futebol a desfilar na Marquês de Sapucaí.

Como no escudo do clube, o pavilhão da escola tem uma estrela branca em fundo preto, que costuma ser chamada de Estrela Solitária.

O enredo para 2026 é O Brasil que floresce em arte, uma homenagem ao mestre do paisagismo Roberto Burle Marx, que foi desenvolvido pelos carnavalescos Raphael Torres e Alexandre Rangel.

Torres contou que, quando entraram na escola e conversaram sobre qual seria enredo, disseram que não queriam uma temática que tivesse ligação com o time ou com personagens ligados ao Botafogo.

“Queríamos um enredo que pudesse nos dar liberdade de carnavalizar, mostrar um colorido na escola. De início, foi aceito, e conseguimos colocar essa linda homenagem a Roberto Burle Marx”, disse Raphael Torres em áudio encaminhado pela assessoria da escola.

No primeiro setor, eles abordam as pinturas abstratas que deram origem aos jardins modernistas do paisagista.

“Neste setor, ele abandona os moldes europeus que utilizavam plantas exóticas vindas de outros países para dar lugar às plantas nativas brasileiras”, disse Raphael Torres.

Na sequência, o próximo setor trará a invenção do paisagismo moderno, com destaque para o calçadão de Copacabana.

O amor que Burle Marx tinha pela flora brasileira será retratado pelo segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira que representam o Modernismo floresce tropical.

As expedições que Burle Marx fez pelos biomas do Brasil estarão no terceiro setor, destacando as plantas nativas de cada um. O fechamento do setor vem com a alegoria o Brasil descoberto pelo olhar do artista.

Para mostrar o seu legado vivo, o desfile traz por último uma alegoria caracterizando o Sítio de Burle Marx.

“Onde ele morou, viveu e fez da sua casa um laboratório botânico, classificado atualmente como patrimônio mundial da humanidade”.

Confira a ordem dos desfiles da Série Ouro

  • Sábado – 14 de fevereiro
  • Botafogo Samba Clube
  • Em Cima da Hora
  • Arranco do Engenho de Dentro
  • Império Serrano
  • Estácio de Sá
  • União de Maricá
  • Unidos do Porto da Pedra
  • Unidos da Ponte

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