Certos beneficiários, por suas circunstâncias, têm dificuldade em reconhecer os benefícios com que foram agraciados
Por Jacob Fortes de Carvalho – DF
A frase é do escritor e historiador da Roma Antiga, Tácito (Públio Cornélio Tácito, c. 56-120 d.C.).
Relativamente à gratidão, peço à ciência que faça “ouvidos de mercador”, pois um leigo também deseja expressar sua opinião.
A afirmação do escritor de que a gratidão é um peso, parece sólida, difícil de ser refutada. É que os benefícios provenientes dos benfeitores permanecem, indefinidamente, decalcados na memória de quem os recebeu.
Por via disso, enquanto durar a vida do beneficiário, nele habitará, ainda que brandamente, a sensação de uma dívida simbólica.
Existem diversas maneiras de agradecer benefícios recebidos, mas a melhor forma de retribuí-los é com a gratidão, isto é, expressando reconhecimento. O ato de agradecer ao benfeitor também exprime agradecimento a Deus.
Pena que nem todos os agraciados se lembram de agradecer às mãos beneméritas que lhes acudiram. Certos beneficiários, por suas circunstâncias, têm dificuldade em reconhecer os benefícios com que foram agraciados. Isso faz supor que o verbo agradecer lhes pesa, ou lhes traz incomodidade. Nisso há uma certa lógica.
Afinal, quem faz lembrar a existência de dívida simbólica é justamente esse verbo.
E já que a gratidão é o tema de hoje, valho-me desta oportunidade para reiterar os meus agradecimentos — aliás, já expressos por palavras, atitudes e gestos —, ao ilustre conterrâneo, Dr. Luiz Bandeira da Rocha Filho, ex-ministro da Educação, que me jogou um salva-vidas quando eu já era um náufrago.
Essa ação salvadora, que nenhuma palavra basta para agradecer, figurará perpetuamente no meu caderno de dívidas imprescritíveis. “Só conhece o valor da âncora quem passou pela tempestade”.
Quanto à afirmativa do dito escritor de que a vingança é um prazer, neste ponto, por força das minhas limitações, deixo de opinar. Transfiro para as jurisdições competentes, a exemplo da Psicologia, que tem expertise para destrinchar o assunto aos moldes de autópsia.
Apenas constato que são diligentes os atos destinados ao revide, enquanto os de agradecimento são morosos.
Finalmente, ainda que as ruas digam que a gratidão pode ser aprendida, pendo para a linha de que a capacidade de sentir gratidão é algo tão instintivo quanto a mulher que aprende a ser mãe sem precisar de escola.
(Jacob Fortes de Carvalho é professor universitário)























