Líderes da UE divergem em meio a uma confusão geopolítica

Comissão Europeia Ursula von der Leyen Misto Brasil
Ursula von der Leyen é a atual presidente da Comissão Europeia/Arquivo/Reprodução vídeo
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Presidente do conselho afirmou que o bloco não deve tolerar “violações”. Presidente da Comissão Europeia é ancorada na realpolitik

Por Misto Brasil – DF

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, disse aos embaixadores que a União Europeia (UE) sempre defenderá a ordem internacional baseada em regras, um dia depois de a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ter apelado a uma política externa orientada pelos interesses e ancorada na realpolitik.

Costa afirmou que o bloco não deve tolerar “violações do direito internacional”, citando os Estados Unidos, a Rússia e a China como forças disruptivas – do comércio à segurança.

Embora reconhecendo que o mundo está mudando, ele disse que a UE não deve se afastar de seus princípios fundamentais. Em vez disso, o bloco deve redobrar seus esforços, segundo divulgou a Euronews.

“Conhecemos a nova realidade – uma realidade em que a Rússia viola, a China perturba o comércio e os Estados Unidos desafiam a ordem internacional baseada em regras”, disse ele na terça-feira.

“Devemos prosseguir uma política externa multidimensional… É do nosso interesse evitar uma maior fragmentação mundial”, acrescentou. Costa referiu-se aos tratados da UE e à Carta das Nações Unidas como o núcleo da sua ação em matéria de política externa.

Ele também afirmou que a UE deveria denunciar as violações do direito internacional, desde a Ucrânia à Groenlândia, passando pela América Latina (numa referência à Venezuela), até Gaza e o Oriente Médio. Costa disse que o povo iraniano merece viver em liberdade e paz, mas sugeriu que as bombas, por si só, não alcançarão esse objetivo, visto que a operação militar conjunta EUA-Israel entra em sua segunda semana.

A legitimidade da guerra continua sendo um ponto de tensão entre os Estados-membros da UE.

Enquanto o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, classificou a situação como ilegal e agravante, rejeitando uma extensão do conflito, o chanceler alemão, Friedrich Merz, inicialmente minimizou o direito internacional, sugerindo que este não é o momento para a UE dar lições aos seus aliados.

Os seus comentários surgem depois de a chefe da Comissão ter discursado na mesma conferência na segunda-feira com um discurso sóbrio, no qual argumentou que a guerra é um fato e que os debates políticos pouco contribuem para alterar o seu curso.

Von der Leyen também pediu aos embaixadores que implementassem uma “política externa mais realista e orientada por interesses” em um mundo que se tornou caótico e transacional. Embora a Comissão seja vista como a guardiã máxima dos tratados da UE, como representante da tomada de decisões baseada em regras, von der Leyen pareceu sugerir que isso também está se tornando uma relíquia.

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