Está mais uma vez provado que fingimos esquecer que existem milhares de pretos, pobres e putas, presos, doentes que não tem advogado
Por Genésio Araújo Júnior – DF
O francês Honoré de Balzac, famoso, escreveu mais de 10 mil páginas com a sua monumental comédia humana. O fundador do romance moderno falava dos costumes de uma burguesia nascente. Ele escrevia sobre a hipocrisia nossa de cada dia.
Se fosse brasileiro, teria escrito 20 mil páginas. O ministro Alexandre de Moraes, em baixa, concedeu prisão domiciliar humanitária ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Uma estranha maioria se informou.
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Quem é a favor de Bolsonaro, gostou. Quem é contra, também acabou aprovando. Uns porque achavam injusta a prisão na Papudinha, outros por temerem que ele morresse na cadeia.
Vou lhe contar um pouco de hipocrisia, pois também me confesso hipócrita como você. No Brasil, a lei não é para todos, prisão não é para bacana, é para preto, pobre e puta. Lula ficou preso, condenado em segunda instância, em sala na PF de Curitiba.
Colo de Melo, condenado em última instância, está guardado num apartamento de nove milhões de reais de 600 metros quadrados.
Bolsonaro vai voltar para sua mansão do Lago Sul, em Brasília. Eu e você, que somos hipócritas, fingimos esquecer que existem milhares de pretos, pobres e putas, presos, doentes, que não tem advogado caro para lhes arrumar uma prisão de bacana.



















