As eleições de outubro devem levantar questões importantes como a situação da economia, o Banco Master e a segurança pública
Por André César – SP
As eleições de outubro deverão ser as mais acirradas desde a redemocratização, na segunda metade da década de oitenta do século passado. No âmbito da sucessão presidencial, o presidente Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) seguem rigorosamente empatados, mas não se pode descartar a possibilidade de que um nome alternativo apareça no horizonte.
Caso Master – “mãe de todas as crises”, o escândalo do Banco Master envolve importantes atores políticos, tanto do governo Lula (PT) quanto da oposição. Os tentáculos do (ex) banqueiro Daniel Vorcaro atingem aos três Poderes, mas não só – mercado financeiro, imprensa e até mesmo influencers estão envolvidos no caso.
Dada a amplitude das investigações ora em curso, o problema tende a seguir em destaque ao longo dos próximos meses, com potenciais consequências danosas para muitos.
Supremo Tribunal Federal – a Corte enfrenta aquela que pode ser a maior crise de sua história. Ministros supostamente envolvidos com Vorcaro, falta de unidade interna e perda de credibilidade junto à opinião pública apenas corroem ainda mais a instituição. Há inclusive vozes que defendem o afastamento de alguns membros do STF, o que, no limite, é muito ruim para a democracia.
Guerra no Oriente Médio – a guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada no final de fevereiro, está cercada de incertezas. Apesar das tentativas de se chegar a um cessar-fogo, nada está garantido. Pior, o comportamento mercurial do presidente Donald Trump e do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o regime dos aiatolás não colaboram para melhorar o ambiente.
Mesmo que o conflito chegue ao fim a curto prazo, os efeitos sobre a economia continuarão a ser sentidos por um bom tempo. O planeta como um todo paga a (salgada) conta.
Economia – a economia, salvo raros setores, segue claudicante e o conflito no Oriente Médio acaba por piorar as expectativas. A esperada queda consistente da taxa básica de juros (Selic) ainda não se materializou e, no momento, as perspectivas são sombrias.
O risco de aumento da inflação, em especial por conta do reajuste do diesel, incomoda e atrapalha os planos das famílias. Como se diz, “o bolso é o órgão mais sensível do corpo humano”.
Segurança pública – tema caro ao cidadão comum, a segurança pública será objeto de intensos debates ao longo do processo eleitoral. Sempre se faz necessário lembrar que a questão é de responsabilidade dos governos estaduais (e das prefeituras nos casos em que as cidades tenham guardas municipais), mas é inevitável que os candidatos a presidente da República também abordem o problema.
Um foco será o avanço do crime organizado em todo o Brasil, o que tem assustado a todos, sem exceção.
Alianças/coligações – as alianças e coligações serão fundamentais para os candidatos em outubro. Por conta disso, é passado o período da chamada “janela partidária”, os postulantes a cargos eletivos e os partidos buscarão reforçar suas posições estado por estado. É importante ressaltar que serão registradas dissidências dentro das legendas. O PSD, por exemplo, apresentou o nome do ex-governador Ronaldo Caiado (GO) para a disputa presidencial, mas no Rio de Janeiro e na Bahia as lideranças apoiarão a candidatura de Lula. O mesmo se dará com outros partidos.
O “eleitor pêndulo” – para além do cenário de forte polarização politica no país, ué alguns analistas chamam de “calcificação”, há uma parcela não desprezível do eleitorado que gostaria de uma candidatura mais ao centro – uma espécie de terceira via.
Esse eleitor não se empolga com o governo Lula nem com o bolsonarismo e, assim, pode buscar alguma alternativa fora desses dois campos. A grande dúvida aqui é o quanto esse “eleitor pêndulo” poderá influenciar no resultado final do pleito.
Outros temas relevantes – meio ambiente, a inserção do Brasil no cenário global, BRICS e o acordo União Europeia/Mercosul.
A política, como se sabe, é dinâmica e tudo pode mudar rapidamente. Não se descarta a possibilidade de que outros temas, hoje fora do radar, entrem na agenda dos candidatos. Faltando seis meses para o pleito, tudo está em aberto.





















