As receitas com pedidos internacionais da estatal caíram de R$ 3,9 bilhões em 2024 para R$ 1,3 bilhão em 2025
Por Misto Brasil – DF
As demonstrações financeiras dos Correios revelam uma queda acentuada nas operações internacionais.
A chamada “postagem internacional” passou de 21,7% da receita em 2024 para apenas 8,8% em 2025, evidenciando a perda de peso desse segmento no faturamento da estatal.
Os dados foram divulgados pelo Diário Oficial da União na sexta-feira (24), de acordo com a Times Brasil.
Criado pelo Ministério da Fazenda em 2023, o programa Remessa Conforme é apontado como fator central do prejuízo.
A iniciativa alterou regras de importação e abriu espaço para concorrentes privados na distribuição de encomendas internacionais.
A medida, popularmente conhecida como taxa das blusinhas, passou a aplicar imposto de importação de 20% sobre compras exteriores de até US$ 50, que antes eram isentas.
Com a permissão para transportadoras privadas realizarem a entrega dessas mercadorias no país, a obrigatoriedade de distribuição pelos Correios foi encerrada.
A alteração teve impacto direto sobre as receitas da estatal. Um estudo interno elaborado no início de 2025 indicou que a empresa sofreu uma perda de faturamento de R$ 2,2 bilhões após a implementação da taxa.
Além da queda de receita, os números operacionais mostram retração expressiva: o volume de objetos deslocados caiu de 149 milhões para 41 milhões nos nove primeiros meses de 2025.
As receitas com pedidos internacionais caíram de R$ 3,9 bilhões em 2024 para R$ 1,3 bilhão em 2025.
A estatal admite enfrentar um “ciclo vicioso de prejuízos”, marcado por perda de clientes, redução de caixa e aumento de despesas financeiras e administrativas.
Negociações com grandes clientes – responsáveis por mais da metade da receita – também se tornaram mais delicadas, ampliando a pressão sobre os resultados.
Dados mostram que a empresa acumulou prejuízo de R$ 6,06 bilhões nos primeiros nove meses do ano.
O valor é quase três vezes superior ao registrado no mesmo período de 2024, além de uma retração na receita líquida, que passou de R$ 14,1 bilhões para R$ 12,3 bilhões.
Em 2024, a empresa registrou R$ 3,9 bilhões nesse segmento, valor já R$ 530 milhões inferior ao de 2023.

















