Ao terminar a graduação, enfrentou a desconfiança de alguns dos professores quando decidiu tentar a carreira de cirurgiã
Por misto Brasil – DF
Morreu neste sábado (30), aos 93 anos, a médica e pesquisadora Angelita Habr-Gama, referência mundial em coloproctologia. Ela estava internada desde 6 de maio no Hospital Alemão Oswaldo Cruz. A causa da morte não foi divulgada.
Nascida na Ilha de Marajó, no Pará, filha dos libaneses Nagibi e Kalil, Angelita Habr-Gama chegou a São Paulo depois da morte do irmão Nader, aos 14 anos, por apendicite supurada.
Com medo de que o mesmo acontecesse com os outros filhos, os pais decidiram se mudar e fincar raízes em uma capital. O ano era 1939 e Angelita tinha 6 anos.
Aqui, a adolescente Angelita teve de vencer a resistência de Kalil ao decidir prestar Medicina — ele preferia que ela seguisse a carreira de professora, segundo o Times Brasil.
Insistiu e, em 1952, foi aprovada para ingressar na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).
Ao terminar a graduação, enfrentou a desconfiança de alguns dos professores quando decidiu tentar a carreira de cirurgiã.
“O chefe que escolhia o pessoal para a residência de cirurgia me falou:
‘São só oito vagas, você vai casar, ter filhos, esquecer a cirurgia e vai ter ocupado a vaga de um rapaz’”, contou em entrevista a Fabiana Cambricoli.
Angelita integrou a equipe que cuidou de Tancredo Neves (1910-1985).
Foi ela, a única mulher na equipe médica, que foi dizer à dona Risoleta que não havia mais esperanças, como contou Maria Fernanda Rodrigues ao noticiar o lançamento da biografia da médica, Não, Não é Resposta, escrita por Ignácio de Loyola Brandão.
Em nota divulgada neste domingo, 31, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz lamentou a morte de Angelita.
“Desde 1980, Angelita Habr-Gama fazia parte do corpo clínico do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o que sempre foi motivo de grande orgulho para a instituição e todos os seus colaboradores”, disse o hospital.
















