Persiste questão sensível relacionada à baixa efetividade dos resultados pedagógicos observados no ensino regular da língua inglesa
Por Luiz Bandeira da Rocha Filho – DF
Os bons exemplos precisam ser divulgados sem a preocupação de enaltecer os atores. O essencial é o resultado e é nesse contexto que a Prefeitura Municipal de Planaltina de Goiás, GO, registra que a ampliação do ensino da língua inglesa no ordenamento educacional brasileiro, notadamente no contexto das alterações promovidas na Lei nº 9.394/1996 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – representa medida alinhada às exigências contemporâneas da globalização, da inovação tecnológica e da formação de competências para inserção social, acadêmica e profissional.
Entretanto, persiste questão sensível relacionada à baixa efetividade dos resultados pedagógicos observados no ensino regular da língua inglesa.
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Não são raros os casos em que estudantes, mesmo após anos de exposição curricular à mencionada língua, permanecem sem desenvolver competências mínimas de reconhecimento fonético, leitura, pronúncia ou comunicação oral elementar.
Essa realidade suscita legítima indagação sob a ótica da administração pública: qual o nível de eficiência do investimento realizado quando os resultados de aprendizagem permanecem aquém dos objetivos educacionais pretendidos?
Foi diante desse problema que a empresa Inglês Fácil Express Ltda., dedicou mais de duas décadas de estudos, pesquisas e desenvolvimento metodológico destinados a identificar fatores estruturantes do processo de aquisição linguística, para diferentes idiomas.
A investigação conduziu à compreensão de que diferentes áreas do conhecimento possuem instrumentos referenciais que organizam a aprendizagem e permitem ao aluno construir autonomia cognitiva.
Na química, a tabela periódica constitui matriz organizadora indispensável à compreensão dos elementos e suas interações.
Na geografia, os mapas representam instrumento estruturante da compreensão espacial.
Na música, notas e partituras organizam a percepção sonora e a execução técnica.
Na matemática elementar, a tabuada oferece base operacional necessária à compreensão dos cálculos fundamentais.
A partir dessa lógica investigativa, a empresa buscou responder à seguinte questão: qual seria o equivalente metodológico — a matriz referencial — para a aprendizagem da linguagem, especificamente para a aquisição fonética da língua inglesa por falantes nativos de português?
Os estudos desenvolvidos permitiram identificar dois pontos relevantes:
Primeiro: grande parte das práticas tradicionais de ensino de língua estrangeira concentra o aprendizado inicial em estruturas gramaticais, memorização vocabular e tradução, porém, sem consolidar, de maneira sistemática, a compreensão das relações entre grafia, som e pronúncia.
Segundo: o processo de aprendizagem linguística tende a apresentar melhores condições de assimilação quando o estudante consegue compreender a nova língua mediante referências cognitivas associadas ao seu idioma nativo, especialmente no campo das relações fonema–grafema.

O método e o ensino da lingua inglesa
A partir dessa compreensão foi desenvolvida metodologia própria voltada à alfabetização e reconhecimento fonético da língua inglesa por meio de letramento fônico-silábico mediado pela língua portuguesa.
No âmbito específico do ensino de inglês para falantes de português, estruturou-se instrumento pedagógico denominado “Tabelinha do Inglês”, concebido como matriz referencial simplificada de decodificação fonética, organizada em regras e padrões operacionais que visam conferir ao estudante maior autonomia na leitura, reconhecimento sonoro e pronúncia de palavras do idioma.
A proposta metodológica possui fundamento na consciência fonológica e na consciência silábica — competências reconhecidamente relevantes no processo de alfabetização e aprendizagem linguística — permitindo ao estudante perceber, segmentar, identificar e recompor unidades sonoras que estruturam a linguagem.
A empresa destaca que seu propósito institucional sempre esteve associado à defesa da qualidade do gasto público em educação, compreendendo que políticas educacionais devem ser avaliadas não apenas pelo volume de recursos empregados, mas, sobretudo, pela capacidade objetiva de produzir aprendizagem mensurável, autonomia cognitiva e desenvolvimento efetivo de competências.
Nesse contexto, entende-se que o debate acerca das metodologias de ensino da língua inglesa transcende preferências pedagógicas e alcança dimensão diretamente relacionada aos princípios constitucionais da eficiência administrativa, economicidade, razoabilidade e avaliação de resultados das políticas públicas.
Registra-se, por oportuno, que iniciativas de apresentação técnica dessa metodologia já foram submetidas, em oportunidades anteriores, ao conhecimento de membros de Cortes de Contas, de diretorias pedagógicas, de secretarias de educação, de audiências públicas em centros universitários, com o propósito de contribuir para o aperfeiçoamento da discussão sobre inovação pedagógica e controle da qualidade do gasto educacional.
A educação brasileira atravessa um período de profundas transformações pedagógicas. As políticas públicas educacionais têm concentrado esforços na melhoria dos conteúdos programáticos, na revisão das matrizes curriculares e na implementação de novas estratégias voltadas à aprendizagem efetiva dos estudantes.
Nesse contexto, destacam-se as iniciativas relacionadas ao fortalecimento da alfabetização, à expansão das escolas de tempo integral, à valorização da educação infantil e à introdução de novos saberes capazes de preparar as crianças para os desafios de uma sociedade globalizada.
Entre essas inovações, merece especial atenção a ampliação do ensino de línguas estrangeiras nos anos iniciais do Ensino Fundamental. A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, por exemplo, mediante a Resolução nº 107/2021, estabeleceu a obrigatoriedade do ensino da Língua Inglesa desde os primeiros anos escolares, reconhecendo a importância estratégica da competência comunicativa em idioma estrangeiro para a formação integral dos estudantes, ampliando a obrigatoriedade constante da Lei nº 9394/1996.
A baixa fluência do estudante
A mencionada resolução promoveu adequação das matrizes curriculares da Educação Básica, em consonância com as diretrizes nacionais e estabeleceu que as matrizes curriculares dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, no Estado de São Paulo, terão os componentes curriculares da Base Nacional Comum Curricular e da Parte Diversificada, inserindo nela: Língua Inglesa, Tecnologia e Inovação e Projeto de Convivência.
Considerou, prudencialmente, situações fáticas ao estabelecer que as aulas da parte diversificadas devem ser ministradas por professor especialista no horário regular de funcionamento da classe e quando comprovada a inexistência ou ausência de professor especialista, a carga horária dos componentes curriculares Língua Inglesa, Educação Física e Arte deve ser assumida pelo professor regente da classe.
O exemplo do Estado de São Paulo poderá ser replicado para milhares de redes municipais de ensino, carentes de especialistas em várias disciplinas.
O que a empresa Inglês Fácil Express Ltda., com os frutos da experiência pedagógica acumulada nas últimas décadas, demonstra com singularidade é que o simples contato precoce com uma língua estrangeira não garante a aprendizagem efetiva.
Para que o ensino produza resultados concretos, é necessário observar as etapas naturais do desenvolvimento linguístico da criança, especialmente o domínio da relação entre grafemas e fonemas, como fundamento da aprendizagem linguística.
O processo de alfabetização representa uma das mais importantes conquistas cognitivas da infância. Por meio dele, a criança aprende que os símbolos gráficos da escrita correspondem a sons da fala, estabelecendo aquilo que a literatura especializada denomina consciência fonêmica e correspondência grafema-fonema.
Sem essa compreensão, a leitura transforma-se em mera decodificação mecânica ou memorização visual de palavras, dificultando a construção de competências linguísticas mais complexas.
Quando o ensino de uma língua estrangeira ignora essa etapa fundamental, o estudante tende a memorizar vocabulários isolados, expressões prontas e estruturas gramaticais sem compreender os mecanismos que organizam o sistema linguístico. Como consequência, observa-se baixa fluência leitora, dificuldades de pronúncia e reduzida autonomia para a aprendizagem.
Por outro lado, quando a criança domina os processos de alfabetização, torna-se capaz de compreender que cada idioma possui regras próprias de representação sonora, facilitando significativamente a aquisição de novas competências linguísticas.
Planaltina de Goiás é referência de ruptura de paradigmas, apresentando resultados diretos no processo de alfabetização e reconhecimento fonético, para alunos dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental tendo, por consequência, melhorados os indicadores educacionais e potencializando o protagonismo dos estudantes.
Avante Planaltina. Educar melhora a sociedade.
(Luiz Bandeira da Rocha Filho é economista, foi secretário geral e ex-Ministro do Ministério da Educação)




















