Falamos aqui de Portugal x Espanha pelas oitavas de final. A Península Ibérica se enfrenta pela primeira vez na história do campeonato
Por André César – SP
José Saramago na Copa do Mundo? Olha, por que não? Teremos nos próximos dias um encontro que sem dúvida daria muito orgulho ao grande Nobel de Literatura e, certamente, iria inspirá-lo a escrever um texto de respeito sobre o assunto.
Falamos aqui de Portugal x Espanha pelas oitavas de final. A Península Ibérica se enfrenta pela primeira vez na história do campeonato. O velho esporte bretão assistirá a um embate único. A Jangada de Pedra estará em campo.
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A Jangada de Pedra. Em minha humilde opinião, o maior livro de Saramago. Em linhas gerais, trata da separação geográfica (mas não só) da separação geográfica da Península Ibérica do restante da Europa.
Na verdade, é uma clara referência à criação da União Europeia, onde as culturas portuguesa e espanhola estavam sendo claramente colocadas de lado no processo de construção do bloco. Autênticos patinhos feios no grande jogo político.
De fato, os dois países enfrentaram dificuldades para se colocar dentro do novo modelo geopolítico. A partir de suas línguas, Portugal e Espanha representam universos distintos da Europa. Camões e Fernando Pessoa, Cervantes e Garcia Lorca são muito diferentes de autores do resto do continente.
Muita gente considera o livro de Saramago “excessivo” ou até mesmo “rococó”, seja lá o que isso signifique. Não importa. Trata-se de uma obra única, que terá sua expressão máxima em campo muito em breve nas oitavas de final. Motivo de orgulho para o Nobel, sem dúvida.
Salazar versus Franco em disputa. Revolução dos Cravos contra os pactos de Moncloa. A rigor, muita história (recente ou não) estarão em campo em uma disputa sem precedentes. Algo para ser relembrado pelas próximas gerações, com muito orgulho.
Segunda-feira próxima, 6 de julho, em Dallas, com Cristiano Ronaldo e companhia contra a Armada Espanhola. Tudo muito simbólico, como pede (e merece) o bom futebol. Como diz o hino português, “às armas às armas/sobre a terra e sobre o mar”. Mais uma batalha épica se apresenta.


















