A mudança é o primeiro passo para transformar a avenida mais segura, permitindo a instalação de semáforos e faixas de pedestres
Por Misto Brasília – DF
Os motoristas que trafegam pela avenida da ponte Juscelino Kubitschek (JK) precisam redobrar a atenção a partir desta quarta-feira (15).
Começou a substituição das placas de trânsito que reduzem a velocidade máxima permitida de 80 km/h para 60 km/h nos dois sentidos da via.
Veja logo abaixo a nota da Rede de Promoção da Mobilidade Sustentável e do Transporte Coletivo do Distrito Federal (Rede Urbanidade)
A mudança é o primeiro passo para transformar a avenida em uma via arterial mais segura, permitindo a instalação de semáforos e faixas de pedestres.
Nos próximos 20 dias, equipes vão trabalhar na sinalização horizontal, que inclui a pintura de faixas, instalação de tachões e demolição de muretas para a passagem de pedestres.
Fiscalização eletrônica e período de adaptação
A mudança também vai alterar a rotina dos radares instalados ao longo do trecho:
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Lombadas eletrônicas: Seguem operando normalmente com o limite já existente de 60 km/h.
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Radares fixos: Passarão por reconfiguração técnica para registrar a nova velocidade de 60 km/h.
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Tolerância: As multas por excesso de velocidade nesses radares reajustados só serão aplicadas após um curto período de adaptação para os motoristas.
A intervenção urbana na JK prevê ainda a criação de bolsões de parada para motocicletas e botoeiras para o acionamento manual dos semáforos, garantindo a travessia segura de pedestres e reduzindo o índice de acidentes na região.
O que faz da Ponte JK um monumento
Além de sua importância logística para o Distrito Federal, a Ponte Juscelino Kubitschek carrega números e prêmios que a consolidam como uma obra-prima da engenharia mundial. Veja os principais dados técnicos e históricos da estrutura:
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Arquitetura premiada: Projetada pelo arquiteto Alexandre Chan, sua forma foi inspirada no movimento de uma pedra quicando sobre o espelho d’água. Em 2003, ganhou a Medalha Gustav Lindenthal, nos EUA, como a ponte mais bonita do mundo.
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Dimensões e estrutura: Possui 1.200 metros de comprimento, 24 metros de largura e abriga duas pistas com três faixas de rolamento cada, além de duas passarelas laterais para ciclistas e pedestres.
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Os arcos assimétricos: A estrutura é sustentada por três arcos metálicos que cruzam o tabuleiro em diagonal. Cada arco tem um vão de 240 metros e altura máxima de 60 metros, apoiando-se em quatro pilares submersos no Lago Paranoá.
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Desafio geológico: A construção (inaugurada em dezembro de 2002) enfrentou uma grande falha geológica no leito do antigo Rio Gama, exigindo fundações complexas com 74 tubulões cravados profundamente sob a água.
íntegra da nota da Rede Urbanidade
A Rede de Promoção da Mobilidade Sustentável e do Transporte Coletivo do Distrito Federal (Rede Urbanidade) cumprimenta a iniciativa do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) de readequar o limite máximo de velocidade da pista que dá acesso à Ponte JK de 80 km/h para 60 km/h e de implantar intervenções destinadas a ampliar a segurança de pedestres e ciclistas naquele importante corredor viário.
A medida representa um avanço na construção de uma mobilidade urbana que coloca a preservação da vida no centro das políticas públicas. Ao reclassificar a via de “trânsito rápido” para “arterial”, compatibilizar a velocidade dos veículos com as características locais e viabilizar a implantação de travessias semaforizadas e outros dispositivos de segurança, o Detran-DF dá um passo importante para garantir um sistema viário mais humano, acessível e seguro para todos os seus usuários.
A literatura técnica e a experiência nacional e internacional demonstram que a adequação dos limites de velocidade e a moderação de tráfego em áreas urbanas figuram entre as medidas mais eficazes para reduzir a gravidade dos sinistros de trânsito. Velocidades compatíveis com o ambiente urbano aumentam significativamente a segurança de pedestres e ciclistas, preservando vidas sem comprometer, de forma relevante, a fluidez da circulação.
No caso da Via JK, os estudos técnicos divulgados pelo Detran-DF indicam que a alteração produzirá impacto mínimo no tempo de deslocamento dos motoristas, ao mesmo tempo em que permitirá a implantação de soluções de engenharia voltadas à proteção dos usuários mais vulneráveis do sistema viário.
A iniciativa está em consonância com as diretrizes do Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans) e com os princípios do Sistema Seguro (Safe System) e do Visão Zero, adotados internacionalmente, segundo os quais o sistema de mobilidade deve ser planejado para minimizar as consequências dos erros humanos e oferecer proteção especial aos usuários mais vulneráveis das vias. Além disso, a Lei Federal nº 12.587/2012 (que institui as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana) prevê, em seu art. 6º, a prioridade dos modos de transporte não motorizados sobre os motorizados.
A medida também dialoga com a Ação Civil Pública proposta pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), por intermédio da 1ª Promotoria de Justiça de Defesa da Ordem Urbanística (Prourb), que busca a adoção de um conjunto de medidas destinadas a tornar mais seguras as travessias do Eixão. Entre elas, encontra-se a adequação do limite máximo de velocidade de 80 km/h para 60 km/h, além da implantação de intervenções de engenharia voltadas à proteção de pedestres e ciclistas. Embora cada via possua características próprias e deva ser objeto de estudos específicos, a medida adotada na Via JK demonstra que é possível conciliar eficiência na circulação de veículos com elevados padrões de segurança viária.
A Rede Urbanidade espera que essa iniciativa estimule a adoção de soluções semelhantes em outros pontos críticos do Distrito Federal, sempre fundamentadas em critérios técnicos, transparência e diálogo com a sociedade. Construir uma cidade para as pessoas significa reconhecer que nenhuma morte ou lesão grave no trânsito é aceitável e que a preservação da vida deve orientar todas as decisões relativas à mobilidade urbana.
Uma cidade que reduz velocidades para preservar vidas não anda mais devagar; avança na direção certa.
















