Dos 24 presidentes de clubes que disputam os estaduais, 14 já foram candidatos em diversos cargos ou têm vínculos com legendas partidárias
Por Eduardo Tavares e Hugo Monteiro – DF
A política e o futebol vêm se misturando mais a cada ano, e o cenário no Distrito Federal não é diferente.
Um levantamento feito com os clubes registrados na Federação de Futebol do Distrito Federal (FFDF) mostra que 14 dos 24 times têm presidentes ou dirigentes com algum tipo de vínculo atual ou anterior com partidos, agentes políticos ou ocupantes de cargos públicos, o que representa aproximadamente 58% dos times do futebol candango.
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O vínculo político é ainda mais expressivo na elite do futebol local. Entre os 10 clubes que disputam a primeira divisão do Campeonato Candango, nove contam com presidentes ou dirigentes ligados ao meio político, seja por atuação em cargos públicos, candidaturas, filiação partidária ou influência nos bastidores.
O índice equivale a 90% dos participantes da principal competição do Distrito Federal.
Entre os clubes da elite, aparecem nomes conhecidos da política e do empresariado local e isso não impressiona quem acompanha o futebol na capital.

Segundo Gabriel Franco, influenciador e proprietário do perfil Fut e Bola, a relação entre esporte e política no Distrito Federal é muito forte e faz parte da estrutura do futebol candango.
O ARUC tem como dirigentes o ex-senador Luiz Estevão, que foi filiado a diversos partidos, mas atualmente faz parte do PRTB e Eduardo Bariotto que não é ligado diretamente a nenhuma legenda, mas possui grande relação com Estevão.
O Brasília Futebol Clube, por sua vez, é presidido por Luis Carlos Barreto de Oliveira Alcoforado,envolvido com o PT, e por Washington Stecanela, conhecido como Coração Valente, filiado ao PP desde 2024.
O Brasiliense também é presidido pelo ex-senador.
No Capital SAF, o presidente é Godofredo Gonçalves Filho, ligado ao PL. O Ceilândia é comandado por Aridelson Sebastião de Almeida, filiado ao PT.
O Paranoá tem Gedalva Egino Soares à frente da gestão, que concorreu ao cargo de deputado distrital em 2010 pelo MDB, enquanto o Real Brasília é presidido por Luís Felipe Belmonte dos Santos que é filiado ao PSC.
O Samambaia também possui ligação com Luiz Estevão e Eduardo Bariotto. O atual vice-campeão Candango, Sobradinho, o presidente é Gildo Vianna, filiado ao PT.
A exceção entre os participantes da primeira divisão é o presidente do atual bicampeão candango, o Gama, presidido por Wendel Lopes, único dirigente da elite sem envolvimento político identificado.
Apesar da pesquisa, Haland Guilarde, assessor de imprensa da FFDF, diz que apenas dois clubes possuem ligações diretas com a politica. O Real Brasília e o Sobradinho.

Segunda divisão
Na segunda divisão do Campeonato Candango, a presença política é menor, mas ainda significativa. Mais conhecido como “Futebola”, numa referência ao site que comanda, Franco afirma que a dependência tende a ser ainda maior fora da elite do futebol candango.
“Quanto mais baixo você vai indo, maior é essa dependência do futebol com o âmbito político”, avalia.
Entre os clubes com dirigentes ligados à política estão o Formosa, comandado por Cacildo de Paula Cassiano vinculado ao MDB e o Unaí, presidido por Elias Andrade de Oliveira, que concorreu ao cargo de vereador da cidade nas últimas eleições.
Apesar de não fazerem parte do Distrito Federal as equipes disputam o campeonato candango, por estarem filiadas a FFDF e estarem localizadas no entorno da capital.
Além deles, o Botafogo-DF, presidido por Elias Sutero Lima; o Cruzeiro, com Ivani Alves Oliveira, que concorreu à Câmara Legislativa do DF pelo AVANÇA em 2006 e Luiz Estevão; o Ceilandense, também é relacionado com Estevão e Manoel da Silva Santos.
Dos 14 dirigentes analisados na divisão de acesso, cinco possuem participação política identificada. Os outros nove não apresentaram vínculos políticos localizados no levantamento.

Influência histórica
A forte presença de dirigentes ligados à política não é novidade no futebol do Distrito Federal. Ao longo das últimas décadas, clubes locais se aproximaram de lideranças políticas e empresariais em busca de investimentos, fortalecimento institucional e influência nos bastidores do esporte.
Os números atuais mostram que essa conexão continua sendo uma característica marcante do futebol candango.
Com mais da metade dos clubes registrados na FFDF sob comando de dirigentes com atuação ou histórico político, o Distrito Federal mantém uma das relações mais evidentes entre política e futebol no cenário brasileiro.
Na visão do Futebola, essa proximidade entre futebol e política é uma característica histórica que permanece enraizada no esporte do DF. “A política está muito forte, muito enraizada. Você vê isso em praticamente qualquer instância do futebol do Distrito Federal”, afirma.
Para Guilarde, esta relação entre política e futebol não é exclusividade da capital federal, segundo ele a ligação é presente em todo o Brasil. “Em todo o cenário nacional existem aqueles clubes que são ligados a alguém ligado à política”.
Caso Luiz Estevão
Quando se trata de política e futebol no Distrito Federal, o principal personagem é o empresário Luiz Estevão. A influência do ex-senador no futebol candango tem gerado questionamentos sobre a concentração de poder e possíveis conflitos de interesse.
Cassado pelo Senado em 2000 e posteriormente condenado no caso das obras do Fórum Trabalhista de São Paulo, ele segue sendo uma figura de grande influência nos bastidores do futebol candango.
Em 2026, uma investigação do Estadão apontou que Estevão teria influência sobre cinco clubes, Brasiliense, ARUC, Samambaia, Cruzeiro e Ceilandense, levantando questionamentos sobre a legitimidade do futebol do DF.
A reportagem destacou que a situação desafia princípios defendidos pela CBF para garantir maior transparência e equilíbrio competitivo entre as equipes.
Embora o empresário negue exercer controle sobre todos os clubes citados e afirme comandar apenas o Brasiliense, seu nome continua associado aos outros clubes do “guarda-chuva”.
(Da Agência de Notícias CEUB com a supervisão de Vivaldo de Sousa)












