A discussão vai além da Petrobras. Distribuidoras e grandes consumidores industriais defendem o mecanismo, com interesses diferentes.
Por Jean Paul Prates – RN
O Gas Release permite obrigar um agente com elevada participação de mercado a leiloar parte do gás que possui. Pode abrir espaço à concorrência, mas não cria reservas, não constrói gasodutos e não elimina o custo de trazer gás offshore até o consumidor.
A discussão vai além da Petrobras. Distribuidoras e grandes consumidores industriais defendem o mecanismo, com interesses diferentes. O governo precisa demonstrar quanto o consumidor ganha e quais riscos ficam com a sociedade.
Antes de expandir gasodutos pelo interior, é preciso comparar alternativas: eletrificação, energia solar e eólica, biometano local, eficiência e armazenamento em baterias.
Desenvolvimento regional exige energia adequada a cada atividade, com custo e segurança de fornecimento avaliados.
O gás natural tem funções importantes na química, nos fertilizantes e em processos de difícil eletrificação. Na geração elétrica, deve atender às necessidades do sistema. Massificar todos os usos sem prioridades pode criar dependências caras.
Defendo concorrência com resultados verificáveis e uma evolução energética orientada pelo interesse brasileiro. A pergunta é simples: quem ganha, quem paga e qual benefício chega ao país?
(Jean Paul Prates foi senador da República e presidente da Petrobras)
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