Por Misto Brasil
A disputa em torno do Judiciário da Polônia chegou ao ápice na madrugada deste sábado (31/10), com o presidente Karol Nawrocki ultrapassando a força o cordão de segurança imposto pela polícia em frente ao Tribunal Constitucional.
O edifício no centro de Varsóvia está cercado há semanas por centenas apoiadores do partido do presidente, o ultranacionalista e eurocético Lei e Justiça (PiS), que fizeram um acampamento para barrar a posse do novo juiz, Maciej Berek, aliado próximo do primeiro-ministro Donald Tusk, de centro-esquerda, que tem maioria no Congresso.
Três pessoas foram presas por tentar entrar no tribunal, disse a polícia.
Nawrocki, que estava num avião em direção a Senegal para a abertura dos Jogos Olímpicos da Juventude, determinou que a aeronave desse meia-volta depois que um comunicado no site do Tribunal Constitucional anunciou a suspensão do presidente da corte, Bogdan Swieczkowski, aliado de Nawrocki, pela juíza Ana Korwin-Piotrowska, indicada por Tusk.
Depois de permanecer várias horas no interior da sede judicial, Nawrocki abandonou o edifício do tribunal superior, segundo agência PAP, depois do porta-voz da presidência, Pavel Szefernaker, ler um comunicado oficial em seu nome alegando “violação constitucional”.
O presidente exigiu que “seja restabeleça a ordem jurídica” e solicitou às forças de segurança enviadas pelo governo de Tusk que “abandonem as imediações do tribunal”. Por último, chefe de estado convocou de urgência as autoridades parlamentares instando-as a “estabilizar” a situação.
O ganhador do Prêmio Nobel da Paz e ex-presidente polonês Lech Walesa foi um dos que manifestou apoio a Tusk. “A pátria está em perigo!”, escreveu o líder do Solidariedade, primeiro partido independente a surgir no bloco soviético, ainda na década de 1980.
A coalizão de centro-esquerda de Tusk, que assumiu o poder em 2023, busca reverter as mudanças no sistema judiciário introduzidas pelo governo do PiS.
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