Cerca de 150 mil crianças indígenas sofreram abuso físico e sexual no final do século 19
O papa Francisco, que iniciou neste domingo (24) uma visita de seis dias ao Canadá, assegurou durante o voo que o levou ao país que pretende fazer uma “viagem penitencial” para pedir desculpas aos indígenas pelos abusos cometidos em internatos durante os chamados processos de assimilação, e também reiterou seu desejo de viajar para a Ucrânia.
Poucos minutos após a decolagem, Francisco, caminhando com o auxílio de uma bengala, foi até a parte de trás do avião para cumprimentar os 78 jornalistas que viajam com ele e agradeceu pelo trabalho e companhia durante esta turnê, em que visitará Edmonton, Quebec e Iqaluit.
“Esta é uma viagem penitencial, fazemos com esse espírito”, disse Francisco, que deu preferência aos encontros com os indígenas, enquanto as reuniões com autoridades não ocorrerão até quarta-feira, em Quebec.

Cerca de 150 mil crianças indígenas foram matriculadas desde o final do século 19 até a década de 1990 em 139 internatos, onde passaram meses ou anos isoladas de suas famílias, idioma e cultura. Muitas delas sofreram abuso físico e sexual por diretores e professores. Acredita-se que milhares morreram de doenças, desnutrição ou negligência.
Em maio de 2021, mais de 1.300 sepulturas não identificadas foram descobertas nos locais das antigas escolas, em Columbia Britânica e em Saskatchewan. As instalações eram financiadas pelo governo, e a maioria delas era gerenciada pela Igreja Católica.













