O que se vê hoje é a existência de uma espécie de “Abin paralela”, que atua (ou teria atuado) em prol dos interesses da família Bolsonaro
Por André César – SP
Às vésperas do final do recesso parlamentar, o mundo da política vive um momento de efervescência.
A Operação Vigilância Aproximada, da Polícia Federal, colocou na berlinda o deputado federal e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem (PL-RJ), homem da confiança do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O que se vê hoje é a existência de uma espécie de “Abin paralela”, que atua (ou teria atuado) em prol dos interesses da família Bolsonaro. Uma verdadeira crise institucional pode estar em gestação, com consequências imprevisíveis.
Há muito a se apurar e algumas questões aguardam respostas.
. Qual será o efeito da ação da PF sobre a pré-candidatura de Ramagem à prefeitura do Rio de Janeiro? Terá ele condições de manter suas pretensões eleitorais? Como reagirá o eleitor bolsonarista mais extremado diante dos novos fatos?
. O PL de Valdemar Costa Neto manterá a posição de unidade, independentemente do que venha a aparecer? O presidente nacional da legenda conseguirá manter o discurso em defesa de seus correligionários (cabe lembrar que o deputado Carlos Jordy também está sendo investigado)?
. Ainda sobre Costa Neto, como ficarão suas relações com a cúpula do Congresso Nacional, em especial Rodrigo Pacheco (PSD/MG), com quem trocou farpas?
. Como ficará a situação da família Bolsonaro, em especial o senador Flávio (PL-RJ) e seu irmão mais novo, Jair Renan, citados como possíveis beneficiários do esquema?
. Qual será o impacto da operação sobre as relações entre Judiciário e Legislativo? E o Executivo, qual o papel nesse caso?
. O governo Lula da Silva (PT) poderá auferir algum ganho político com desdobramento das investigações?
. A agenda Legislativa, já complexa, será afetada com a crise ora em curso?
. Por fim, como ficam os dados da espionagem ilegal sobre cerca de 30 mil pessoas, hoje armazenados em Israel?




















