O que move os políticos

Câmara dos Deputados plenário Misto Brasil
Detalhe do plenário da Câmara a partir das galerias/Arquivo/Marcos Oliveira/Agência Senado
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É claro que nem todos os políticos manipulam, mas é a exceção que confirma a regra, mas tendem a abusar da confiança

Por Mayalu Felix – MA

Não há gente mais habilidosa em dar desculpas que o político. Há vários estudos que relatam que a maioria dos psicopatas e sociopatas está na política.

Pessoas com transtorno da personalidade antissocial “apresentam sintomas como uso persistente de mentiras e fraudes para explorar pessoas, usam o charme e a sagacidade para manipular as pessoas e não criam vínculos afetivos verdadeiros”, segundo texto publicado no site do Conselho Regional de Psicologia do Mato Grosso.

É claro que nem todos os políticos manipulam, mas é a exceção que confirma a regra. Políticos que não são cobrados, mas tratados como chefes ou autoridades supremas, tendem a abusar da confiança de seus eleitores.

Na maioria dos países em que a atividade política é levada a sério, como um serviço prestado à coletividade e ao cidadão, políticos não recebem regalias, ao contrário: são severamente indagados a respeito de suas atividades. No Brasil, ao contrário, a lista de gastos e regalias é absurda e a fiscalização é deficiente.

Temos o Judiciário mais caro do mundo e um dos mais lentos: “O gasto total do Judiciário brasileiro em 2022 somou o absurdo de R$ 159 bilhões, soma maior do que os gastos de países avançados e em desenvolvimento”, é o que diz estudo divulgado pela equipe econômica do Tesouro Nacional, do Ministério da Fazenda, que reuniu dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Por sua vez, o Congresso Nacional brasileiro custa, por ano, 10,8 bilhões ao povo, e hoje, na prática, não é independente em relação ao Executivo e ao Judiciário.

Cada parlamentar custa R$ 7,4 milhões por ano aos cofres públicos. No Executivo, saímos de um governo eficiente, que tinha 23 ministérios técnicos, para o Governo Lula, que tem 37. Fato é que a política, no Brasil, é fonte de enriquecimento e glória para a maioria dos políticos e de miséria para a maioria do povo. Não acredita? Veja os embates que a questão do saneamento têm gerado e o retrocesso do país na área, por exemplo. O país empobrece, os políticos enriquecem.

Cada político serve a alguém ou a alguma causa. Teme algo e age motivado por medo, por ganância ou por convicção. O que determina a ação de um político, seus valores ou seu interesse?

Que explicação ele dá quando é instigado por medo em vez de princípios?

Vou usar como exemplo uma votação bastante significativa para a direita brasileira, a do PDL 3/2023, de autoria dos deputados Sanderson (PL-RS), Sargento Fahur (PSD-PR), Luiz Lima (PL-RJ) e outros, que sustava o Decreto nº 11.366, de 1º de janeiro 2023, que limita o registro e a aquisição de armas de fogo.

Por apenas três votos, a bancada da direita perdeu esta votação. Deputados que se dizem de direita, mesmo estando presentes no Plenário, não votaram.

Eram necessários 257 votos para o requerimento de urgência ser aprovado, mas o documento recebeu o aval de apenas 254 deputados. A causa da autodefesa é uma das mais caras à direita mundial. O direito de se defender é essencial, sobretudo nos tempos difíceis que vivemos. À esquerda é essencial dificultar ao cidadão comum o acesso às armas de fogo.

À direita, é necessário facilitá-lo num estado democrático de direito. Como disse o líder comunista chinês Mao Tsé-Tung: “Todo o poder político vem do cano de uma arma. O partido comunista precisa comandar todas as armas; desta maneira, nenhuma arma jamais poderá ser usada para comandar o partido”.

Outro exemplo de ação a que nenhum parlamentar que se considera de direita poderia ter se omitido foi o requerimento da deputada Carla Zambelli pelo impeachment do presidente Lula.

A significação política desse pedido de impeachment, diante do estado de exceção que se forma no país, é fundamental, e eximir-se diante dele por covardia ou interesse próprio é jogar no lixo a confiança dos eleitores de que seu representante, uma vez na Câmara, daria voz ao seu eleitor.

Há vários outros exemplos. Políticos excepcionais, as exceções que nos dão esperança, existem. O que levou os 254 deputados federais de direita a votaram favoravelmente ao PDL 3/2023, o projeto das armas?

Coragem, coerência ideológica, respeito aos seus eleitores, compromisso político? Mesmo os suplentes em exercício, mesmo os titulares, que não têm, em tese, nada a perder? Procure saber quem são. Preste atenção a eles.

E quanto aos 140 deputados que assinaram o requerimento da deputada Carla Zambelli pelo impeachment do presidente Lula? É claro que há um preço a pagar. Nada se faz sem uma contrapartida.

Os covardes calculam isso e saem com o rabo entre as pernas. “Governo ameaça tirar cargo e verba de deputados que assinaram impeachment de Lula”, noticia a Folha de São Paulo.

O que dizer da coragem dos deputados maranhenses suplentes em exercício Luciano Galego e Sílvio Antônio, ambos do PL?

São parlamentares que trazem orgulho à direita maranhense, assim como muitos deputados titulares e suplentes do PL, do PP, do PSD e de outros partidos e estados do Brasil, que, apesar dos tempos de perseguição política, não se curvaram nem tampouco procuraram dar desculpas esfarrapadas a seus eleitores.

Como disse Guimarães Rosa: “A vida… o que ela quer da gente é coragem”.

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