A regra é não ultrapassar

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Texto de Viviane Roussenq

Daqui deste plano de existência não me iludo com a pseudoliberdade. Há prisões e variações de cárcere em qualquer lugar deste planeta. Aqui mesmo na minha rua, em minha mente lesada de tanto repensar filosofia. De tanto filosofar descobri grades imensas separando gente, isolando espaços, muros escondendo casarios e as memórias das famílias, cercas delimitando nossos limites.

A regra é não ultrapassar, esqueça aquele sonho de transgredir. Há muros por todos os lados. Não que eu sucumba a este cerceamento. Apenas entristeço e voluntariamente coloco uma grade na janela da minha deprê para não contagiar personas felizes. Não tenho ideia de onde veio esta deprê e quando irá passar.

Quando penso que posso remover minha grade de proteção, algo se move dentro de mim e uma voz sussurra aos meus ouvidos: ainda não, filha. Devagar com o andor, você vai quebrar a cara solta no mundão. Costumo respeitar esta voz que vem lá do meu mais recôndito refúgio interior. No entanto, já quebrei tantas vezes a cara que nem entendo este conselho. Tô cascuda, não confunda com amarga, apenas escaldada como uma boa e velha gata.

Então vezenquando dou um jeito de fugir e encarar a rua. Busco histórias, olho cada detalhe ao meu redor então cato uma epifania. Volto para casa e ajeito novamente a grade. Suspeito que a vida é um pouco isso. A gente vai sobrevivendo entre o sagrado e o profano aprisionamento das vontades. Felicidade?

Talvez um dia seja possível derrubar paredes e muros que aprisionam principalmente nossos sonhos. Um sonho livre é quase felicidade.

Por enquanto, sou, somos, apenas sobreviventes. 

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