Deputado será julgado por contrabando de madeira

Salles e Bolsonaro Cúpula do Clima
Ricardo Salles ao lado de Bolsonaro no discurso na Cúpula do Clima/Arquivo/Divulgação
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Ricardo Salles foi ministro de Meio Ambiente no governo Bolsonaro e na época sugeriu “passar a boiada” na flexibilização da legislação

Por Misto Brasil – DF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, acolheu manifestação da Procuradoria-Geral da República e fixou a competência da corte para processar e julgar o deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP).

Ele foi ministro do Meio Ambiente do governo de Jair Bolsonaro (PL). Salles é acusado de suposto envolvimento em um esquema de facilitação ao contrabando de produtos florestais.

A notícia-crime foi apresentada por parlamentares em 2020 com base em declaração feita por Salles em reunião ministerial em que sugeria “passar a boiada”, referindo-se à flexibilização de normas ambientais.

A decisão segue o entendimento fixado pelo Supremo este ano sobre foro por prerrogativa de função, informou o site Conjur.

De acordo com a nova jurisprudência, (HC 232.627 e INQ 4.787), a prerrogativa de foro, para crimes cometidos no cargo e em razão dele, deve ser mantida mesmo após a saída da função.

Moraes acolheu a manifestação da PGR de que, no caso, está configurada a competência do STF, uma vez que as infrações foram praticadas durante a gestão de Salles como ministro de Estado do Meio Ambiente e têm relação com as funções desempenhadas.

A decisão foi tomada na Petição (PET) 8.975, agora autuada como Ação Penal (AP 2.705).

A pedido da PGR, o procedimento chegou a ser arquivado, mas, com o surgimento de novas provas, foi reaberto.

As investigações mostraram a ação coordenada de ocupantes de cargos em comissão do Ministério do Meio Ambiente, indicados pelo ex-ministro para garantir interesses ilegítimos de empresas madeireiras.

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