Bolívia e seus recursos naturais, de volta ao radar dos EUA

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Palácio Quemado é a sede da administração federal da Bolívia/Arquivo/Divulgação
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Os EUA estão de olho não apenas nos recursos naturais, mas também numa forma de limitar a presença de China, Rússia e Irã, na região

Por Marcelo Rech – DF

No dia 19 de outubro, os bolivianos retornam às urnas para escolher o futuro presidente. Apesar da incógnita em relação a quem sairá vencedor, uma coisa é certa: ao colocar dois candidatos de direita na decisão, os bolivianos devolveram o país e os seus recursos naturais, ao radar dos EUA.

Em agosto, o senador Rodrigo Paz e o ex-presidente Jorge “Tuto” Quiroga foram os escolhidos para o segundo turno, pondo fim à hegemonia esquerdista do MAS, de Evo Morales, que governava há 20 anos.

O resultado foi contundente, pois a esquerda, além de ficar em 6º na corrida presidencial, não elegeu nenhum deputado ou senador.

Rodrigo Paz é filho do ex-presidente Jaime Paz Zamora, e Tuto Quiroga, foi presidente entre 2001 e 2002, herdando o mandato de Hugo Banzer, que renunciou.

Os dois não escondem que terão nos EUA, um aliado preferencial. Para Washington, o resultado não poderia ter sido melhor. Qualquer um que vença em outubro, atende aos seus interesses políticos e estratégicos.

Os EUA estão de olho não apenas nos recursos naturais, mas também numa forma de limitar a presença de China, Rússia e Irã, na região. A Bolívia, além de gás natural, possui algumas das maiores reservas mundiais de lítio no Salar de Uyuni, além de minerais como zinco e estanho, e biodiversidade nas suas florestas tropicais e terras altas.

Além disso, o país é um grande produtor de cocaína e, nos tempos de Evo Morales, a cooperação que havia com a agência antidrogas norte-americana, DEA, foi rompida. Agora, a Casa Branca conta as horas para voltar com tudo e também no campo da erradicação da coca.

De alguma forma, podemos esperar por uma abordagem colonial dos EUA em relação à Bolívia e aos demais países latino-americanos e isso dá-se ao fazer exigências políticas que limitam as relações exteriores desses países com qualquer outro que não seja do interesse norte-americano. Em outras palavras, a ideia é concentrar as relações em Washington e desvencilhar-se do resto.

As empresas norte-americanas sabem que podem contar com a pressão de Washington para pôr as mãos nas riquezas bolivianas, o que, na prática, contraria os interesses nacionais do país. Para a Bolívia, sua riqueza natural é determinante para o futuro de sua sociedade.

No entanto, as tentativas dos EUA de impor parceria desde que, em detrimento das relações bolivianas com outros sócios, limita essa possibilidade e contradiz os princípios do livre comércio e dos laços econômicos, sem contar que tais aspirações terão um efeito desestabilizador objetivo em toda a região.

Tendo esse cenário como pano de fundo, a Bolívia e seus vizinhos, Brasil incluído, claro, precisam desenvolver uma política multivetorial – doutrina de política externa que busca manter relações equilibradas e cooperativas com múltiplas potências globais – que lhes permita construir relações mutuamente benéficas.

Caso contrário, os EUA aumentarão a pressão para persuadi-los a cooperar de acordo, exclusivamente, com seus interesses e objetivos.

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