Delegado assassinado era inimigo número um do PCC

Delegado Ruy Fontes Polícia de São Paulo Misto Brasil
Delegado ocupou diversas funções dentro da Polícia Civil do estado de São Paulo/Arquivo/Divulgação
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Foi durante sua atuação na 5ª Delegacia de Polícia que iniciou as primeiras investigações sobre o desdobramento do PCC

Por Misto Brasil – DF

Morto em uma emboscada em Praia Grande, no litoral paulista, o delegado Ruy Ferraz Fontes, de 63 anos, tinha um histórico de atuação contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) e chegou a ser considerado inimigo número um da facção criminosa.

Aposentado da Polícia Civil, Ruy Ferraz será velado a partir das 10 horas na Assembleia Legislativa de São Paulo. O sepultamento está programado para às 16 horas de hoje (16).

Com mais de 40 anos de atuação na Polícia Civil, Fontes foi responsável pela prisão e indiciamento de lideranças do PCC nos anos 2000, quando atuava na repressão a roubo de bancos, e, mais tarde, como delegado-geral de São Paulo.

Imagens de câmeras de segurança mostraram o carro do delegado tentando escapar dos criminosos na noite desta segunda-feira (15) em alta velocidade até capotar entre dois ônibus ao tentar entrar em uma avenida, informaram as agências Brasil e DW.

Pouco depois, três homens descem de um segundo veículo armados com fuzis e disparam contra o carro do delegado, que morreu na hora. Segundo o prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão, Fontes não dirigia um veículo blindado no momento da execução.

Ao longo dos anos, Fontes passou pela Divisão de Homicídios do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), pela Divisão de Investigações Sobre Entorpecentes do Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (Denarc), pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e comandou outras delegacias e divisões na capital paulista.

Também foi diretor do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap) e chefiou a Polícia Civil paulista entre 2019 e 2022, na gestão do ex-governador João Doria. Após se aposentar, em janeiro de 2023, assumiu a secretaria de Administração de Praia Grande, cargo em que permaneceu até ser assassinado.

Duas hipóteses para o assassinato

Foi durante sua atuação na 5ª Delegacia de Polícia de Investigações Sobre Furtos e Roubos a Bancos que iniciou as primeiras investigações sobre o desdobramento do PCC em São Paulo no início dos anos 2000.

Em 2006, foi um dos responsáveis pelo indiciamento da cúpula da facção após uma onda de atentados contra prédios públicos e rebeliões em presídios que deixaram centenas de mortos e feridos.

Na ocasião, desenhou e apresentou os primeiros organogramas da facção criminosa, como parte do indiciamento por tráfico de drogas e formação de quadrilha que levou a uma das condenações de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola.

O delegado era formado em direito pela Faculdade de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, e realizou diversos cursos de combate às drogas e ao terrorismo junto a corporações de segurança internacionais.

A motivação do crime ainda não está clara. O caso será investigado pelo atual Diretor-Geral da Polícia Civil de São Paulo, Arthur Dian, em parceria com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público.

“Conversei com o delegado-geral de polícia, com o procurador de Justiça do estado e pedi que todos se mobilizem e trabalhem juntos. Queremos o máximo empenho para encontrar os assassinos e entender a motivação do crime”, afirmou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

A corporação trabalha com duas hipóteses: morte por vingança devido à sua atuação contra o PCC, ou reação à sua atuação na secretaria de Administração de Praia Grande.

Em 2019, o MP havia identificado uma ordem para matar Fontes e outros dois delegados em retaliação à transferência de Marcola e outros 21 integrantes do PCC a presídios federais.

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