Um sonho, uma escolha, é deslocar o entendimento de que a natureza é unicamente fonte de extração de recursos de consumo para fonte de vida
Por Mônica Igreja – DF
A Primavera bateu à porta e eu aqui me perguntando como vou recebê-la. Pois o sonho também chega em setembro. Dia 25 é Dia Mundial do Sonho e, com ele, o incentivo para tirá-lo do coração e colocá-lo no modo ativado.
Que sonho quero ativar nessa Primavera que chega com alertas de eventos extremos e a necessidade profunda de cooperação para adiar o fim do mundo?
Leia – chegada da Primavera traz frente fria e temporais
Essa expressão famosa, eu a estou usando emprestada de Ailton Krenak, líder indígena brasileiro e escritor, que ocupa uma cadeira na Academia Brasileira de Letras.
Quando li o livro – Ideias para adiar o fim do mundo – me deparei com o trecho em que Krenak exalta o sonho como um “caminho para encontrar as orientações para as escolhas do dia a dia”.
Escolhas que possam evitar uma rota de colisão com a emergência climática e que, para evitar o fim do mundo, permitam a nossa reconexão com a natureza.
Um sonho, uma escolha, é deslocar o entendimento de que a natureza é unicamente fonte de extração de recursos de consumo para fonte de vida e sobrevivência das espécies, inclusive a nossa de pessoas humanas.
O sonho de ser possível um modo diferente de viver em sociedades complexas. Será possível?
Outras pessoas sonham como eu e apontam que adaptações são necessárias ao território.
O ano de 2024 foi o mais quente num período histórico de 175 anos e as temperaturas tão elevadas fizeram com que o calor levasse à morte 62 mil pessoas, na Europa, de acordo com levantamento do Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal).
Apenas instalar ar-condicionado nas residências não vai resolver! O desconforto térmico afeta crianças e idosos de modo mais severo.
O Brasil está envelhecendo a um ritmo acelerado e somamos 32 milhões de idosos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o que representa 15% da população. As crianças de zero a 14 anos representam 19%.
E você, como vai deixar a Primavera e o sonho entrarem na sua vida? Que tal aceitar o convite de realizar atividades que reduzam o seu déficit de natureza? No próximo ensaio, vamos falar da necessária reconexão com o meio natural.
Caso você esteja curioso ou curiosa, conheça a reportagem da Gama sobre experiências afetivas com a natureza e o livro de Richard Louv – A última criança na natureza – resgatando nossas crianças do transtorno de déficit de natureza, publicado em 2016.




















