O presidente da República analisa o assunto com assessores mais próximos. O líder do governo no Senado já falou sobre essa possibilidade
Por Misto Brasil – DF
Na mesma medida que avançam as discussões em torno da revisão a dosimetria das penas dadas aos bolsonaristas no Congresso Nacional, também avançam os entendimentos no Palácio do Planalto para anistiar condenados pelo Supremo Tribunal Federal.
Depois da viagem que fez aos Estados Unidos, onde se encontrou por alguns segundos com o presidente Donal Trump, o presidente Lula da Silva tem amadurecido a ideia de anistiar o maior número de condenados.
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Ficariam de fora os núcleos que planejaram a tentativa de golpe e do plano matar as autoridades. Na lista das autoridades assassinadas estavam o próprio presidente, o vice-presidente, Geraldo Alckmin, e o ministro do STF, Alexandre de Moraes.
A recente manifestação do líder do governo do Senado, senador Jaques Wagner (PT-BA) apontam para uma provável anistia. Wagner é muito próximo do presidente. Ele não disse, mas fontes do Palácio do Planalto do Misto Brasil garantem que Lula da Silva analisa neste final de semana a proposta de anistia.
E também de quebra, a dosimetria das penas. Essa tese ganhou a opinião pública com as manifestações do deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), escolhido pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) para relatar o projeto inicial de uma anistia ampla, geral e irrestrita.
Com a reação positiva de sua popularidade, Lula da Silva analisa que a anistia deve reduzir a resistência nos setores mais moderados e radicais. Seria um passo importante para embalar a sua candidatura à reeleição em 2026 e, também, o seu papel no relacionamento com os Estados Unidos.
Com a anistia, os discursos dos seus adversários nas eleições presidenciais estariam seriamente prejudicados. É nesta tese que assessores próximos do presidente avaliam a decisão já bem amadurecida de Lula da Silva.
Jaques Wagner afirmou na quinta-feira (25) que apoia o debate sobre a redução das penas impostas aos condenados pelos atos golpistas de 8 de Janeiro.
Wagner ressaltou que respeita a decisão da sigla, mas não vê o debate como um ataque à democracia, conforme anotou o Metrópoles na entrevista do senador.
O senador diferenciou os envolvidos nos atos, sugerindo penas mais leves para os que ele chamou de “massa de manobra” e punições mais severas para os articuladores do ataque.
“O Código Penal é alterado o tempo todo. Acho legítimo o Congresso discutir se as penas estão de mais ou de menos”.
Segundo Wagner, revisar a dosimetria não significa ceder aos golpistas, mas fazer uma distinção proporcional entre níveis de responsabilidade.
O deputado Paulinho da Força afirmou à CNN que Hugo Motta não deve colocar o projeto em votação na próxima terça-feira (30), como inicialmente previsto. É o tempo necessário para que o Palácio do Planalto possa ter mais clareza sobre a anistia.


