Com esse resultado da primeira-ministra, o governo Takaichi está posicionado para governar com mais estabilidade nos próximos quatro anos
Por Junichi Inoue – SP
A eleição para a Câmara dos Representantes do Japão, realizada neste fim de semana, resultou em uma vitória histórica e esmagadora para o Partido Liberal Democrático (PLD) do país, superando significativamente as expectativas do mercado.
Antes da eleição, a coalizão governista mal conseguia manter a maioria, com o PLD detendo 198 cadeiras e o Ishin (Partido da Inovação do Japão) 34 — totalizando 232 — ultrapassando a metade necessária apenas com a inclusão dos independentes.
Leia – Sanae Takaichi obtém vitória esmagadora no Japão
Em contraste, na eleição de ontem (08), o PLD conquistou sozinho 316 cadeiras, ultrapassando a marca de dois terços, e, somadas às 36 cadeiras do Ishin, o bloco governista obteve um total de 352 cadeiras, representando 76,1% do total.
Anteriormente, as maiores vitórias do PLD haviam sido a eleição de 2005, marcada pela “Dissolução dos Correios” (quando o então primeiro-ministro Junichiro Koizumi convocou eleições gerais antecipadas após a rejeição, pela câmara alta do parlamento, de um projeto de lei para privatizar o sistema postal japonês) e a eleição geral de 2012, que inaugurou o segundo mandato de Shinzo Abe.
Naqueles anos, o partido conquistou expressivos 62% e 61% do total de cadeiras, respectivamente. A atual vitória do PLD, com 68% das cadeiras, supera em muito ambos os precedentes e constitui um mandato enfático para o governo da primeira-ministra Sanae Takaichi.
Com esse resultado, o governo Takaichi está posicionado para governar com mais estabilidade nos próximos quatro anos e espera-se que prossiga com seus planos de implementação de políticas sem atritos significativos.
O investimento voltado para o fortalecimento da base industrial e da defesa nacional do Japão permanece no centro da agenda do governo. Esperamos que tais iniciativas estimulem a atividade econômica em uma ampla gama de setores.
Além disso, apesar de defender uma “postura fiscal responsável e proativa”, o governo propôs uma moratória de dois anos no imposto sobre o consumo de alimentos durante a campanha eleitoral, e espera-se que as discussões entre os partidos acelerem sua implementação.
E embora o governo possa ser compelido a demonstrar progresso nessa promessa, o ministro das Finanças comentou que as fontes de receita para compensar a redução do imposto sobre o consumo precisam ser identificadas, reduzindo as preocupações de que a sustentabilidade fiscal possa ser prejudicada.
Com a expectativa de fatores favoráveis importantes, como inflação moderada, lucros corporativos robustos e consumo familiar resiliente, projeta-se que o saldo primário (receita tributária total do governo menos despesas totais) retorne ao superávit no próximo ano fiscal pela primeira vez em 32 anos.
O iene e o consumo
Embora alguns observadores associem a alta dos rendimentos dos títulos do governo japonês (JGB) a crescentes preocupações fiscais, consideramos que a queda do rendimento dos JGB de 10 anos para a faixa de 2% — em meio à estabilização da inflação de preços ao consumidor (IPC) em torno de 2% — faz parte de uma normalização mais ampla das taxas de juros, e não um sinal de dificuldades fiscais.
No que diz respeito à moeda, em outubro de 2025, quando Takaichi foi eleita primeiro-ministro, as preocupações com a proposta de expansão do déficit fiscal levaram à desvalorização do iene japonês em relação ao dólar americano.
No entanto, há indícios de uma intervenção coordenada entre o Japão e os EUA para manter a taxa de câmbio iene-dólar acima de ¥150, reduzindo significativamente a probabilidade de uma maior desvalorização do iene além desse patamar.
Enquanto isso, com a consolidação de uma inflação moderada, tanto empresas quanto famílias estão cada vez mais conscientes do custo de oportunidade de manter dinheiro em caixa, o que reforça nossa expectativa de que a demanda interna possa permanecer robusta.
Como mencionado anteriormente, desde o início dos anos 2000, o Partido Liberal Democrático (PLD) obteve vitórias expressivas sob o governo Koizumi em 2005 e o governo Abe em 2012.
O desempenho passado não garante o futuro, mas em ambos os casos, os índices TOPIX e Nikkei subiram mais de 30% (em ienes) nos cinco meses subsequentes,4 impulsionados por fortes fluxos de investimento estrangeiro.
Embora replicar esses retornos possa ser um desafio desta vez — visto que as ações japonesas já apresentaram um bom desempenho —, o cenário é semelhante. Apesar dos fundamentos sólidos e das avaliações atrativas, as ações japonesas continuam subponderadas em muitas carteiras de investidores.
Acreditamos que a vitória esmagadora trouxe a tão necessária estabilidade e previsibilidade para o Japão, sugerindo o potencial para que um ambiente de mercado mais forte do que o esperado persista. Aliado às melhorias contínuas na governança corporativa e no valor para o acionista, o argumento de investimento a longo prazo parece mais convincente do que nunca.
(Junichi Inoue é chefe de ações japonesas e gestor de portfólio da Janus Henderson)
























