Síria celebra o 15º aniversário da Primavera Árabe

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A síria ainda convive com violência e pobreza depois da queda de Bashar al-Assad/Reprodução TV
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Em dezembro de 2024, uma ofensiva relâmpago do grupo Hayat Tahrir al-Sham (HTS) depôs Basharal-Assad, que fugiu para a Rússia

Por Misto Brasil – DF

Neste domingo (15), pessoas em toda a Síria celebrara, o 15º aniversário da revolta que, no final de 2024, pôs fim ao governo do presidente Bashar al-Assad.

Em 15 de março de 2011, manifestantes antigovernamentais tomaram as ruas de Deraa, Damasco e Aleppo, lembrou o site da TV All Jazeera.

Depois da Tunísia e do Egito, a Primavera Árabe chegou à Síria.

Muitas das manifestações iniciais eclodiram após a divulgação da notícia da prisão e tortura de adolescentes de Deraa, no sudoeste da Síria. Os jovens foram presos por picharem grafites contra Assad.

À medida que os protestos cresciam, exigindo reformas democráticas e a libertação de presos políticos, al-Assad e suas forças começaram a responder com brutalidade e repressão. Em julho de 2011, desertores do exército sírio anunciaram a formação do Exército Livre da Síria.

Outros grupos armados também entraram na luta, assim como muitas nações e grupos rebeldes regionais, e logo o país mergulhou em uma guerra brutal na qual centenas de milhares foram mortos e milhões foram deslocados.

Em 8 de dezembro de 2024, uma ofensiva relâmpago do grupo Hayat Tahrir al-Sham (HTS) depôs Basharal-Assad, que fugiu para a Rússia. O líder do HTS, já dissolvido, Ahmed al-Sharaa, é agora o presidente do país e liderou os esforços para reconstruir um Estado fragilizado, incluindo sua segurança.

Em entrevista à Al Jazeera no aniversário da revolta, os sírios disseram estar orgulhosos de terem deposto a dinastia Assad, que governou o país por mais de 50 anos.

“Nossas vidas seguiram uma trajetória tão longa e sinuosa desde o início da revolução que lembrar dos primeiros dias parece um pouco anacrônico, pelo menos em comparação com 8 de dezembro de 2024, quando o regime de Assad finalmente caiu”, disse Alhakam Shaar, natural de Aleppo e atualmente residente na Alemanha, à Al Jazeera.

No ano passado, a capital Damasco se encheu de rosas enquanto os sírios celebravam o primeiro aniversário da revolução sem al-Assad como líder.

E desta vez, com o aniversário coincidindo com o mês sagrado muçulmano do Ramadã, as autoridades planejaram um grande iftar em Qatana, ao sul de Damasco, com a presença das famílias das vítimas, além de um encontro de jovens revolucionários e ativistas em Barzeh.

O governo sírio, sob a liderança de al-Sharaa, tem trabalhado para estabelecer o controle sobre o país após cerca de 14 anos de guerra. Isso incluiu a consolidação do controle sobre o litoral, onde os combates em março de 2025 levaram a uma onda de violência, inclusive por parte de membros das forças de segurança sírias, e tentativas de estender o controle governamental a Suwayda, no sul, onde a violência se intensificou no verão passado.

As forças de segurança da Síria recrutaram um grande número de membros em um curto período de tempo, mas observadores afirmam que ainda precisam de mais recrutas. Isso significa que partes da periferia do país não contam com a mesma presença policial que, por exemplo, Damasco.

“O Ministério do Interior tomou medidas para fortalecer seus sistemas internos e assumir maior responsabilidade sobre os inúmeros atores de segurança do país”, escreveu Julien Barnes-Dacey em um relatório recente para o Conselho Europeu de Relações Exteriores.

“E após a violência ocorrida em março passado, que resultou no assassinato de mais de 1.400 alauítas [uma minoria xiita], as relações comunitárias parecem estar melhorando lentamente no terreno – embora os grupos minoritários ainda tenham sérias preocupações com seu status no novo país dominado por sunitas e enfrentem ameaças constantes à segurança”.

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