O estudo atribuiu notas a condições ostentadas por esses municípios em oito áreas: saúde, educação, infraestrutura, gestão, desenvolvimento econômico
Por Bruno de Freitas Moura – DF
Das 50 cidades campeãs de recebimento de royalties oriundos da produção de petróleo, 12 apresentam indicadores sociais abaixo da média no país. Text em atualização.
Isso significa que essas cidades obtiveram Índice de Condições de Vida (ICV) abaixo de 0,485, patamar médio das cidades brasileiras. A escala vai de zero a um, sendo que quanto maior, melhor.![]()
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A constatação faz parte do estudoPesquisa Petróleo & Condições de Vida, divulgada pela Agenda Pública, organização da sociedade civil que atua no fortalecimento da gestão pública e promoção do desenvolvimento sustentável.
Para chegar ao ranking, os pesquisadores buscaram informações sobre as 50 cidades que mais recebem royalties, como são chamadas as compensações financeiras que as empresas de petróleo pagam pela exploração do mineral. Os dados são referentes a 2024.
Em seguida, o estudo atribuiu notas a condições ostentadas por esses municípios em oito áreas: saúde, educação, infraestrutura, gestão, desenvolvimento econômico, finanças públicas, proteção social e meio ambiente.
Com o cruzamento de informações de receitas com royalties e os indicadores socioeconômicos municipais, as cidades de Linhares (ES), Araucária (PR) e Resende (RJ) lideram o ranking de qualidade de vida, mesmo não figurando entre os 15 municípios que mais receberam a compensação.
Municípios que mais receberam royalties
1. Maricá (RJ): R$ 2,7 bilhões
2. Saquarema (RJ): R$ 2 bilhões
3. Macaé (RJ): R$ 1,4 bilhão
4. Niterói (RJ): R$ 964,8 milhões
5. Campos dos Goytacazes (RJ): R$ 667,4 milhões
6. Arraial do Cabo (RJ): R$ 546,8 milhões
7. Araruama (RJ): R$ 525,5 milhões
8. Cabo Frio (RJ): R$ 374,5 milhões
9. São Sebastião (SP): R$ 341,1 milhões
10. Rio de Janeiro (RJ): R$ 314,5 milhões
11. São João da Barra (RJ): R$ 295,7 milhões
12. Ilhabela (SP): R$ 279,1 milhões
13. Angra dos Reis (RJ): R$ 245,6 milhões
14. Casimiro de Abreu (RJ): R$ 224,7 milhões
15. Paraty (RJ): R$ 224,4 milhões
Indicadores socioeconômicos
Linhares, no litoral norte capixaba, é líder entre as cidades com melhor qualidade de vida, com ICV 0,643. A cidade tem exploração de petróleo e gás em terra e é ponto estratégico próximo a campos produtores no mar. A média dos municípios brasileiros ficou em 0,485.
Na lista dos 15 maiores recebedores de royalties do petróleo, apenas sete figuram entre os 15 municípios brasileiros com ICV mais alto:
- Ilhabela (4º melhor)
- Macaé (7º)
- Niterói (8º)
- Maricá (11º)
- Rio de Janeiro (12º)
- São Sebastião (14º)
- Angra dos Reis (15º)
Saquarema, segunda cidade que mais recebeu dinheiro de royalties é apenas a 16ª no ranking de qualidade de vida.
Lista dos municípios com maiores ICV:
- Linhares (ES): 0,643
- Araucária (PR): 0,638
- Resende (RJ): 0,625
- Ilhabela (SP): 0,625
- Volta Redonda (RJ): 0,620
- Caraguatatuba (SP): 0,603
- Macaé (RJ): 0,602
- Niterói (RJ): 0,596
- Presidente Kennedy (ES): 0,591
- Quissamã (RJ): 0,591
O levantamento destaca ainda que 12 cidades, mesmo com o recebimento de royalties, aparecem com ICV abaixo da média do país. São elas:
- Paraty (RJ): 0,484
- Mangaratiba (RJ): 0,478
- São Gonçalo (RJ): 0,475
- Campos dos Goytacazes (RJ): 0,455
- Japeri (RJ): 0,453
- Silva Jardim (RJ): 0,451
- Guapimirim (RJ): 0,448
- Itaboraí (RJ): 0,443
- Duque de Caxias (RJ): 0,430
- Magé (RJ): 0,417
- Coari (AM): 0,377
- São Francisco de Itabapoana (RJ): 0,351





















