O livro de Antônio Claret Jr. e Lucas Berlanza evidencia os custos ocultos desse progresso acelerado da época de Juscelino Kubitschek
Por Misto Brasil – DF
Em “Juscelino: Uma Crítica ao Desenvolvimentismo”, publicado pela LVM Editora, os autores Antônio Claret Jr. e Lucas Berlanza propõem uma nova reflexão sobre a trajetória política de Juscelino Kubitschek no momento em que sua morte completa cinco décadas.
Distanciando-se do tom panegírico das biografias tradicionais, a obra disseca o impacto do modelo intervencionista adotado desde a Prefeitura de Belo Horizonte até a Presidência da República, questionando a sustentabilidade das decisões que marcaram o período.
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Embora o Plano de Metas e a chegada da indústria automobilística tenham garantido um expressivo crescimento econômico de mais de 7% ao ano, o livro evidencia os custos ocultos desse progresso acelerado.
A expansão do gasto público e a forte atração de capital externo vieram acompanhadas de pressões inflacionárias severas — com a inflação média saltando de 13,5% para 22,4% — e do fortalecimento de uma cultura de dependência em relação ao Estado, marcada por subsídios, protecionismo e proximidade entre o poder público e grupos econômicos.
A construção de Brasília sintetiza essa dualidade na análise dos autores: ao mesmo tempo em que concretizou a interiorização do país e se consolidou como marco arquitetônico, a nova capital demandou colossais recursos públicos sem a devida atenção aos efeitos fiscais de longo prazo ou às carências sociais da época.
Ao conectar as decisões do passado às discussões contemporâneas sobre responsabilidade fiscal, produtividade e os limites do investimento estatal, a obra convida o leitor a separar o inegável carisma de JK da avaliação crítica sobre a eficácia de seu projeto econômico.

















