A ideia é simples. O Irã tem sete vizinhos terrestres, acesso ao Mar Cáspio e várias rotas, para transportar seu petróleo.
Por Misto Brasil – DF
O bloqueio liderado pelos Estados Unidos sobre os portos iranianos, prejudicou gravemente o comércio através do sul do país, mas também serviu para acelerar uma estratégia que o Irã já discutia há anos: movimentar mais mercadorias através dos portos, ferrovias e corredores terrestres ao norte.
Em visita a Moscou, o ministro da Economia, Ali Madanizadeh, afirmou que o Irã deve ativar suas fronteiras ao norte e desviar uma parcela significativa das importações e exportações das rotas marítimas do sul do país.
A ideia é simples. O Irã tem sete vizinhos terrestres, acesso ao Mar Cáspio e várias rotas que ligam seu território à Rússia, Ásia Central, Turquia, Iraque, Paquistão e ao Cáucaso. Em teoria, isso oferece a Teerã mais opções do que um país dependente de uma única via de acesso marítimo.
A questão é se essas rotas possuem capacidade suficiente para substituir o volume perdido no transporte marítimo.
Alireza Salavati, comentarista de economia política radicado em Londres, disse à DW que o Irã possui, de fato, capacidades não utilizadas. “O Irã tem mais margem de manobra do que a sua dependência dos portos do sul poderia sugerir”, afirmou.
No final de 2025, autoridades iranianas informaram que os portos do norte tinham uma capacidade anual nominal superior a 30 milhões de toneladas, com menos de um terço desse potencial sendo utilizado. Isso indica espaço para o transporte de mais grãos, alimentos e cargas gerais através do Mar Cáspio.
A Turquia oferece outra rota em direção à Europa. O transporte ferroviário de cargas entre o Irã e a Turquia depende, em parte, de balsas ferroviárias que atravessam o Lago Van. Esse serviço transportou cerca de 477 mil toneladas em 2024.
A nordeste, Sarakhs e Incheh Borun conectam o Irã, via Turcomenistão, à Ásia Central, à Rússia e, potencialmente, à China.
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