A disputa sucessória chega à reta final com emoções para todos os gostos. As duas candidaturas que lideram as pesquisas (Bolsonaro e Haddad) serão pressionadas como nunca e os outros dois principais concorrentes (Alckmin e Ciro Gomes) lançarão mão dos últimos recursos disponíveis para garantir vaga no segundo turno.
Na última semana a disputa presidencial tomou rumos que mexeram com o quadro quase estável, para o segundo turno, que as pesquisas vinham apontando. Nada está fechado.
A candidatura Jair Bolsonaro (PSL) segue em seu inferno astral. Líder mas estagnado nas pesquisas, tudo indica que o capitão aposentado atingiu seu teto. Os problemas internos seguem em profusão – declarações polêmicas de seu vice, general Mourão, e desencanto por parte do mercado com suas propostas estão na ordem do dia. Agora, Bolsonaro enfrenta graves denúncias em matéria de capa da Revista Veja e, dia 29, assistirá ao evento nacional promovido pelo #elenão contra sua candidatura. O momento é ruim e o candidato pode ver caírem por terra suas expectativas de êxito no pleito.
O petista Fernando Haddad continua crescendo nas pesquisas. No entanto, ele também enfrenta problemas. Os adversários já exploram os riscos do “retorno do PT” ao poder e até o chamado “fogo amigo” se faz presente – a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, defendeu publicamente a concessão de indulto a Lula em caso de vitória do partido. A fala da senadora tem potencial para afastar o eleitor menos radical de Haddad, que vota nele mas concorda com a prisão do ex-presidente. Nos dias finais de campanha, o candidato e seus aliados precisam ser mais conservadores, sob o risco de perder preciosos votos.
Ao pedetista Ciro Gomes só resta a opção de atacar o PT para retomar o terreno perdido para Haddad. Isso ficou claro no recente debate SBT/UOL, onde Gomes afirmou que prefere governar sem o PT. O conhecido “franco-atirador” pedetista ganhará espaço até o final da campanha.
O tucano Geraldo Alckmin aposta suas últimas fichas em um sprint final. Seu principal alvo é o eleitor desiludido de Bolsonaro. O tempo corre contra Alckmin. Ele precisa crescer de maneira consistente na pesquisa DataFolha que será divulgada nessa sexta-feira, 28. Somente assim seus apoiadores terão ânimo para a reta final. Do contrário, o Centrão fechará com outras opções eleitorais.
Os demais candidatos estão na condição de figurantes de luxo. Os votos deles, porém, são muito importantes para a definição do pleito. Somados, Marina Silva (Rede), João Amoêdo (Novo), Álvaro Dias (Podemos), Henrique Meirelles (MDB) e Guilherme Boulos (PSOL) têm aproximadamente 15% dos votos. Trata-se de contingente nada desprezível, a ser disputado pelos demais candidatos.
O resumo da ópera é claro: o jogo eleitoral segue em aberto, apesar do favoritismo de Bolsonaro e Haddad. Não se pode, em hipótese alguma, descartar um cenário alternativo para o segundo turno.





























