Texto de João Domingos
O governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), recebeu o governo quebrado. Seu antecessor, o petista Agnelo Queiroz, fez uma das administrações mais caóticas da capital, sem falar nas suspeitas de envolvimento em corrupção. Só para se ter uma ideia, cada assento do Estádio Mané Garrincha, construído para a Copa da Fifa 2014, custou US 11,4 mil (cerca de R$ 45 mil), tornando-o o terceiro estádio mais caro do mundo, de acordo com estudos da Pluri Consultoria.
Ao longo dos últimos anos, Rollemberg conseguiu equilibrar o caixa do governo. Chegou a 2018 com mais de R$ 1 milhão para investimentos. Pôs em curso uma obra gigante, com a construção de novas vias para a saída norte da capital, com cerca de 20 viadutos e novas pontes sobre o Lago Paranoá. Mesmo assim, a rejeição a Rollemberg, que briga pela reeleição, é de 53%, de acordo com a última pesquisa do Ibope, divulgada na quarta-feira (03), à noite. Se a eleição fosse hoje ele não chegaria ao segundo turno.
O comando da campanha de Rollemberg tenta descobrir os motivos de seu fracasso ante o eleitorado. As primeiras conclusões são de que ele adotou medidas que o tornaram impopular entre o eleitor rico e o eleitor pobre. Por exemplo: mandou tirar todas as invasões da orla do Paranoá que, por décadas, donos de mansões mantiveram por lá, à custa de influência política e até no Judiciário. E derrubou construções de pessoas humildes em áreas públicas invadidas, invasões que costumavam ser toleradas pelos governos anteriores.
Por fazer a promessa de que reverterá essas ações contra construções irregulares, o candidato do MDB, Ibaneis Rocha, subiu como um foguete nas pesquisas. Pode até vencer no primeiro turno.
Rollemberg agiu certo. Ganhou impopularidade.
(João Domingos é coordenador do serviço Análise Política, do Broadcast Político)
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