Nas ruas do distrito de Tejuco, em Brumadinho, na Grande BH, há sempre um braço para amparar, um abraço para acolher e uma palavra ou duas, sempre abafadas pela dor, para dar forças a um amigo. No mais, são os olhos do espanto, o andar a esmo ou o choro convulsivo pela falta de informações ou notícias dos desaparecidos na tragédia, contam Gustavo Werneck e Gabrial Roman, do site Uai e do Estado de Minas.
“Estou segurando minha mãe, ela está desesperada, saiu andando por aí, entrou no mato e fui atrás”, disse, ontem, Mary Cristina Nunes, que também não esconde a apreensão pelo desaparecimento do irmão Peterson Firmino Nunes, casado e pai de três filhos. A exemplo de muitos moradores de Tejuco, Peterson trabalhava na unidade da empresa, com atuação no almoxarifado.
Sem perdoar a mineradora e lembrando a tragédia ocorrida há pouco mais de três anos em Mariana, na Região Central, Fernando perguntou: “Até quanto a Vale vai destruir Minas e causar tanto mal?”.
“Estou sem notícias, ninguém me informa nada, o que aumenta o desespero. Já estive até no Instituto Médico Legal, em Belo Horizonte, mas não consegui nada”, disse Gisele, ao lado do marido, Valdeci Loures Bonfim Júnior, e dos primos Adriano Gomes, Leandro Gomes e José Sidnei.
No distrito de Parque das Cachoeiras, onde as partes mais baixas foram atingidas pelo rompimento da barragem, a dona de casa Izabel Nunes Vieira, de 55 anos, se desespera com o desaparecimento de três primos. “A pressão dela já chegou a 16 por 10”, comentou, ao lado, o marido Geraldo Ribeiro de Paula, que procurava se acalmar fazendo um cigarrinho de palha.


















