“Eu não sei quanto a você, mas toda a minha vida eu tenho ouvido meus pais dizerem: ‘tenha cuidado e não atraia atenção desnecessária, pois é perigoso. E, além disso, somos pessoas simples – nós não decidimos nada’. Meus pais são pessoas maravilhosas”, diz Yury Dud em seu filme Kolyma: the home of our fear (Kolyma: o lar do nosso medo, em tradução livre).
“Mas eu queria entender: de onde vem o medo da geração mais velha? Por que eles estão convencidos de que atos de coragem, não importa quão pequenos sejam, estão fadados a serem punidos?”, questiona o Youtuber de Moscou.
Essas perguntas são o ponto de partida do filme de duas horas e meia realizado por Dud, no qual ele investiga o “medo primordial” de autoridade dos russos – e como isso levou ao fatalismo político e à passividade social no país.
Dud vê as raízes deste medo no terror do stalinismo, o capítulo mais negro e não resolvido da história russa do século 20. Mais de 16 milhões de pessoas inocentes foram forçadas a trabalhar em condições desumanas em campos de trabalho onde estavam privadas de sua liberdade e saúde.
Estima-se que pelo menos 2 milhões de pessoas tenham sido mortas como prisioneiros políticos ou simplesmente por pertencerem a minorias étnicas. No entanto, esses números continuam incompletos e são pouco confiáveis, uma vez que muitos arquivos secretos ainda hoje se encontram indisponíveis para estudos.
Dud também viaja a locais associados ao terror stalinista, percorrendo dois mil quilômetros com sua equipe da cidade de Magadan, no Oceano Pacífico, passando pela paisagem gelada de Yakutsk, ao longo do rio Kolyma e pela rodovia homônima construída por detentos dos gulags.
Dud é uma espécie de prodígio do mundo midiático russo. Já na casa dos 20 e poucos anos, o jovem esguio que não poderia seguir carreira no futebol por causa da asma ganhou fama como jornalista esportivo. (Da DW)



















