Era uma manhã ensolarada, típica de um dia de fim de inverno onde a vegetação começa a ganhar as cores da Primavera. Dentro de uma ampla sala se acotovelaram mais de 400 pessoas. A maioria era empresários alemães de diversas atividades econômicas. Naquele tempo, a Alemanha dedicava mais tempo e atenção ao Brasil.
A presença de um convidado ilustre – um especial observador da cena econômica brasileira – era um motivo a mais para entender o que estava acontecendo com o Brasil.
Era abril de 1994. Os preparativos eram intensos a dois meses do lançamento oficial do Plano Real. Os investidores queriam saber dos detalhes de um projeto que tinha a missão de colocar o país no caminho do desenvolvimento e, principalmente, controlar o dragão da inflação.
O jornalista Joelmir Betting (1936-2012) usou e abusou de seu estilo jornalístico. Como nos textos diários que clareavam a confusa situação econômica, no alto do palco foi professor de uma aula magna sobre os novos acontecimentos, incluindo explicações sobre a famosa tabela da URV.
Didático, pensou que o tradutor teria dificuldades em passar para a plateia suas comparações que, em muitos casos, só um atento observador era capaz de compreender. Também sociólogo, sabia desenhar as nuances do cotidiano.
No final da conversa de duas horas, Betting tinha cumprido sua missão com louvor. Até brasileiros, como eu na plateia, compreenderam boa parte desses preparativos da equipe econômica do governo de Itamar Franco.
Hoje, 25 anos do registro oficial do Plano Real, podemos afirmar que o Brasil é capaz de manter um plano sustentável. Apesar das críticas, até de ordem doutrinária, o Plano Real é um fato consumado.
Assim como a Constituição de 1988, já está na História do seu povo como um programa consolidado. Seis presidentes passaram por ele. E a esta altura, seu batismo de nascimento não pode ser creditado a um único pai ou a uma única mãe.
O Plano Real deve ser festejado e servir de exemplo. E assim como em 1994, embalar os brasileiros numa nova experiência econômica.
Neste momento, o Brasil precisa de um outro programa econômico capaz de orgulhar nossa população. Está na hora disso acontecer. Não para controlar o “dragão da inflação”, mas para gerar desenvolvimento e emprego.






















