Quase 73 mil incêndios foram registrados entre janeiro e 18 de agosto deste ano, comparados com cerca de 39 mil no mesmo período de 2018, de acordo com os últimos dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A cifra na Amazônia é a mais alta desde o início dos registros e representa um aumento de 83% no número de incêndios em relação ao mesmo período do ano passado.
O presidente Jair Bolsonaro sugeriu nesta quarta-feira (21), sem citar evidências, que os incêndios na Amazônia Legal podem ser fruto da “ação criminosa desses ‘ongueiros’, para exatamente chamar a atenção contra a minha pessoa, contra o governo do Brasil”.
Em entrevista à DW, Carlos Nobre, climatologista aposentado do Inpe e atualmente ligado ao Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA-USP), afirma que a combinação de métodos agrícolas tradicionais e a atual retórica política são letais para o futuro da floresta. O cientista diz que o governo brasileiro está promovendo modelos de desenvolvimento agrícola baseados nas queimadas.
“Até o presidente está encorajando, fazendo quase diariamente declarações dizendo que a agricultura é um poderoso setor econômico para o Brasil e que a fronteira agrícola precisa ser expandida”, lamenta. “Então, essa não é uma mensagem oculta, é uma mensagem aberta de que esses fazendeiros e pecuaristas são heróis”, diz.





















