Movimento inglês, o Brexit, inspira separatistas brasileiros de Norte a Sul

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Quem disse que os movimentos separatistas no Brasil foram esquecidos ou estão adormecidos? Inspirados em antigas e agora modernas teses, facções tentam chamar a atenção de brasileiros, especialmente daqueles que estão insatisfeitos com os rumos da política partidária.

Se na Inglaterra o fenômeno Brexit faz história, no Brasil surge o Nordexit. Os argumentos separatistas usam como justificativa um improvável “fracasso da globalização”, corroborado, na visão de vários deles, pela decisão britânica de deixar a União Europeia.

Reportagem da BBC observa que para esses movimentos, há a imposição de uma cultura e de economia central em detrimento dos movimentos locais.

“Quando a Inglaterra saiu da União Europeia, começamos a ver que outras coisas impensáveis poderiam acontecer, como São Paulo sair do Brasil. Sei que temos diferença com a Inglaterra, que é um país independente que sai de uma estrutura multinacional, e que São Paulo ainda é um Estado preso dentro de uma federação”, diz Flavio Rebello, presidente do movimento que quer a separação paulista.

Eles não são necessariamente novos ─ a maioria surgiu nas décadas de 80 e 90, como O Sul é meu País e o Grupo de Estudos para o Nordeste Independente (Gesni), fundamentados em um histórico de revoluções como a Praieira (1850), e as guerras do Contestado (1912) e dos Farrapos (1845), entre outras.

Há movimentos mais recentes, que afirmam ter “ares mais modernos”, inspirados nas demandas da Catalunha e da Escócia ─ caso do Movimento São Paulo Livre, criado logo após as eleições presidenciais de 2014.

Em São Paulo, a votação está sendo chamada de “Sampadeus”. A divulgação é feita através pela internet e com distribuição de panfletos.

“O Brexit não é um movimento separatista, mas mostra que não é possível matar a cultura local. O Brasil sempre buscou a união na marra. Se o Brasil calcasse sua identidade pela diversidade do povo, mas não: pegou todas as culturas e transformou todos em brasileiros”, justifica Celso Deucher, diretor de mobilização estratégica do Sul é o Meu País, quer a emancipação dos três Estados do Sul.

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