Quem mata mais: dengue, coronavírus, H1N1 e ebola

Agente de saúde dengue DF Misto Brasília
Agente de saúde faz vistoria para checar foco do mosquito da dengue no DF/Arquivo/Agência Brasília
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O surto do novo coronavírus originado na China está atraindo a atenção mundial, e a pergunta que todos fazem é se (e quando) ele chegará à América Latina. Embora o vírus 2019-nCoV tenha surgido na cidade chinesa de Wuhan, a milhares de quilômetros do continente, já houve alertas no México, na Colômbia e na Argentina, todos descartados, e ainda há 13 casos em observação no Brasil.

Até ontem (04), a taxa de letalidade do coronavírus, com 20.438 casos de infecção e 425 mortes na China continental, era de 2,08%. A título de comparação, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), até janeiro de 2020 o vírus ebola tinha uma taxa de mortalidade entre 50% e 88%.

Em 2009 e 2010, o vírus da gripe H1N1 teve 0,02% de casos fatais. Em 2012, o coronavírus da síndrome respiratória do Oriente Médio (Mers) registrou 2.494 casos e 34,4% de mortalidade. Em 2013, a gripe aviária (H7N9) registrou 1.568 casos e 39,3% de mortes, de acordo com registro da agência DW.

O avanço do coronavírus na Ásia é tão rápido que muitos especulam que ele poderá chegar em breve à América Latina. Diante disso, enquanto o coronavírus é apenas um grande medo, várias outras doenças infecciosas matam todos os dias na região, e há décadas. Na América Latina, a tuberculose registrou 280 mil casos por ano no século 21. A malária está regressando a algumas áreas tropicais, com a Venezuela liderando em 2017, segundo a OMS.

A doença que mais preocupa atualmente na América Latina é a dengue, que atingiu sua máxima histórica e avançou exponencialmente nas últimas décadas. Hoje, é a doença viral transmitida por mosquitos que se espalha mais rapidamente pelo planeta.

A ONU e estudos científicos já alertaram para os efeitos do aquecimento global sobre ela, já que o fenômeno leva a uma maior sobrevivência e a uma proliferação mais rápida do mosquito Aedes aegypti, que transmite a dengue.

Entre 2019 e 2020, os casos confirmados de dengue na América Latina e no Caribe chegaram a 3.095.821. Houve 1.530 mortes, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

A taxa letal dessa doença foi de 0,049% em 2019. Esses números são os mais altos desde 1980, quando 65.523 casos foram relatados em todo o continente. O segundo ano com o maior número de casos de dengue foi 2015, com 2.415.693.

A dengue atinge especialmente o Brasil, com 1.544.987 casos em 2019, em comparação com os 265.934 casos em 2018: um aumento de 488%. Foi também ali que ocorreu o maior número de mortes: 782, de acordo com dados de 2019 do Ministério da Saúde brasileiro. No Distrito Federal, uma pessoa já morreu neste ano por conta da dengue. No ano passado, a dengue matou 72 pessoas na capital. A Secretaria de Saúde registrou 47.393 casos prováveis de dengue, entre dezembro de 2018 e dezembro de 2019.

A dengue grave (também chamada de hemorrágica) é fatal, pois pode levar à acumulação de líquidos, hemorragias graves e falência de órgãos. Embora não exista um tratamento específico para essa doença, o diagnóstico precoce, cuidados médicos e aconselhamento adequado ao paciente podem salvar vidas.

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