Texto de Noemí Araújo
Na noite de ontem (21), a Câmara dos Deputados aprovou a PEC 15/2015, proposta que torna o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) permanente. Foram mais de 490 votos favoráveis, dos 513 deputados.
É bem provável que você tenha visto a #AprovaFundeb invadindo suas redes sociais essas semanas, mas se você já terminou sua graduação, não é professor ou não acompanha muito as pautas de educação talvez não entenda a importância dessa proposta que já tramita há cinco anos e que tem seu prazo de vigência a se encerrar agora em 2020. Por isso a urgência em apreciá-la em tempo.
O Fundeb, na verdade, é uma junção de 26 fundos estaduais mais o do DF que corresponde a 2,3% do PIB e financia 63% dos recursos da educação básica pública brasileira (R$ 6 de cada R$ 10). A Proposta de Emenda (PEC) altera a Constituição para a tornar permanente e aumentar de 10% para 23% a participação da União, que atende a educação infantil e os ensinos fundamental e médio.
O fundo faz uma redistribuição de recursos de acordo com o número de alunos em cada rede de ensino. O fim dele ou seu adiamento para 2022 (como sugerido na proposta do governo federal) traria uma grave situação para o financiamento da educação municipal; ainda mais depois deste ano de crise financeira e sanitária. Sobretudo, em uma realidade na qual a educação brasileira já é deficitária, desigual e com infraestrutura indigna. Você sabe do que eu estou falando.
É notório que o repasse financeiro é elevado. Mas a educação não é a prioridade, não somos a pátria educadora, ou visto que agora estamos sob a gestão de um governo de direita deixamos de concordar com a afirmativa do governo anterior? Afinal, educação não é sempre a pauta principal nos discursos de campanha, além da saúde e segurança?
Mais do que apenas tornar o fundo permanente, garantido pela Constituição, a proposta aumenta o valor mínimo de investimento por aluno brasileiro. Educação nunca foi gasto, e sua falta custa muito caro. Se comparados aos Estados Unidos, ainda investimos três vezes menos por aluno no ensino primário; e, comparado à alguns países latino-americanos, que já apresentam piso salarial para seus docentes abaixo da média, o Brasil ainda apresenta valor menor que esse repasse inicial, sendo o pior pagador.
A proposta traz novos critérios de distribuição, priorizando as redes de ensino mais vulneráveis, o que favorecerá mais de 7 milhões de alunos (46% dos municípios) que se encontram em estágio de ‘subfinanciamento educacional crítico’ e que passarão a contar com mais recursos, o que deve representar um crescimento de 55,3% até 2026 no repasse mínimo de investimento por aluno/ano (chegará a R$ 5,7 mil), como apresentado pelo estudo elaborado pelo Todos pela Educação.
Infelizmente, alguns deixam as falácias e preconceitos disseminados se tornarem verdades. Baseados em achismos, muitos associam erroneamente a luta por uma educação de qualidade e a valorização de educadores estritamente às bandeiras de esquerda, de sindicatos, de grevistas; e como se fosse algo ruim ou prejudicial ao país. Pelo contrário, a educação deve ser uma pauta nacional e suprapartidária, que garanta a equidade de acesso ao ensino e elimine a desigualdade social e racial ainda tão visível nos estabelecimentos de ensino.
Destaco o protagonismo dos deputados federais: a relatora da proposta, Dorinha Rezende (DEM-TO), pelo primoroso trabalho realizado. Assim como de Felipe Rigoni (PSB-ES), primeiro parlamentar cego na Câmara, e Tábata Amaral (PSB-SP), ambos jovens expoentes políticos que verdadeiramente têm a educação como bandeira ao longo de suas jornadas; através de suas vivências e conquistas têm se tornado referência e influenciadores para a nova geração de jovens e políticos brasileiros, e que tiveram a oportunidade de presidir a sessão hoje. E, como a deputada Tábata sabiamente defende: “nunca seremos um país desenvolvido se não fizermos uma escolha política pela educação como uma das formas de inclusão”.
PARTICIPAÇÃO DO LEITOR
Participe desta discussão
Compartilhe sua opinião sobre este assunto. As participações passam por análise editorial antes de qualquer utilização no site.




















