Se dependesse de 95,75% das 617.543 pessoas que votaram no plebiscito informal do último sábado (1), um novo país seria criado com a separação do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná do resto do Brasil.
O número de participantes foi inferior à meta inicial planejada, de 1 milhão de pessoas, o equivalente a 5% dos eleitores do Sul. De acordo com o movimento separatista “O Sul é meu país”, apenas 4,25% dos participantes foram contrários ao projeto.
A maior parte dos votos contrários foram concentrados no Paraná, onde 11,18% de 24.051 pessoas votaram “não”. O Rio Grande do Sul teve a menor porcentagem de contrários à separação: apenas 2,79% de 320.280 votantes. Em Santa Catarina, 5,37% das 273.212 pessoas que votaram também responderam negativamente ao separatismo.
De acordo com o advogado e integrante do movimento Adelar Bittencourt, de São Lourenço do Sul (RS), “todas as urnas foram escrutinadas em frente a testemunhas públicas” e os dados de cada município foram remetidos a um sistema eletrônico.
Crises –Uma das principais razões para separar o Sul do Brasil, de acordo com o movimento, é a diferença entre o que os Estados arrecadam para a União e o que é devolvido em forma de investimento direto. O líder catarinense Celso Deucher, que faz parte do grupo de “intelectuais” do movimento, alega que o Sul “não pode continuar escravo de Brasília”.
O professor da Unicamp Luís Renato Vedovato, publicou um artigo recentemente sobre o movimento separatista brasileiro, em coautoria com Alexandre Andrade Sampaio, em um periódico da Universidade de Oxford, na Inglaterra.
Para Vedovato, evocar o direito à “autodeterminação dos povos” apenas faria sentido se fosse um caso de evidente violação de direitos humanos, como ocorreu em Kosovo, que se separou da Sérvia. “O caso brasileiro é peculiar porque se luta para que outros lugares tenham menos direito”, diz Vedovato. (Com o Estadão)
















