Nascido a 7 de Dezembro de 1924 em Lisboa, Mário Alberto Nobre Lopes Soares era filho de João Lopes Soares, um antigo padre e professor que fundou o Colégio Moderno, e de Elisa Nobre Soares, professora. Ele morreu hoje, aos 92 anos.
O presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, lembra o antigo Presidente da República Mário Soares como “um grande português” e um dos fundadores da democracia em Portugal.
Mário Soares destacou-se desde cedo na política. Ainda como estudante universitário (licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas em 1951 e em Direito em 1957), foi secretário da Comissão Central da Candidatura do General Norton de Matos à Presidência da República, em 1949, e estaria 11 anos depois na Comissão da Candidatura do General Humberto Delgado à Presidência da República.
Fez parte de vários movimentos de oposição à ditadura do Estado Novo, o que lhe valeu ser preso 12 vezes pela PIDE, a polícia política do regime. Cumpriu quase três anos de prisão e foi na cadeia, em 1949, que casou com Maria de Jesus Barroso. Foi deportado para São Tomé em 1968 e dois anos depois obrigado a exilar-se na França.
Foi no exílio que se tornou um dos fundadores do Partido Socialista, em 1973, e assumiu o cargo de secretário-geral dos socialistas durante praticamente 13 anos.
Regressou a Portugal três dias depois da revolução de 25 de Abril de 1974 para uma intensa atividade política, que o levou a ser uma espécie de farol da democracia portuguesa.
“Mário Soares sempre teve visão. Visão ainda no tempo da ditadura quando conseguiu afirmar a autonomia dos socialistas no quadro da oposição. Teve visão quando, em pleno PREC [Processo Revolucionário em Curso, Verão de 1975], percebeu que missão fundamental do PS era defender a liberdade e a democracia. Teve visão quando afirmou o desígnio europeu”, disse António Costa, então secretário-geral do PS, num depoimento ao Público em 2014, a propósito dos 90 anos de Mário Soares.
Soares foi ministro dos Negócios Estrangeiros no I, II e III Governos provisórios, ficando com o dossier da descolonização, e ministro sem pasta no IV Governo, do qual se demitiu na sequência do caso República. Graças à vitória do PS nas eleições de 1976, torna-se primeiro-ministro, liderando o I Governo Constitucional (entre 1976 e 1977) e o II (1978). Voltaria a chefiar o Governo, pela terceira vez entre 1983 e 1985, no chamado Bloco Central com o PSD – nestas passagens pelo Governo, conduziu Portugal à adesão à então Comunidade Económica Europeia.
Depois de Cavaco Silva ter assumido a liderança do PSD e vencido as eleições de 1985 frente ao socialista Almeida Santos, Mário Soares lançou-se na corrida às eleições presidenciais de 1986. Zangou-se com o amigo Salgado Zenha, mas chegou à segunda volta, em que a esquerda (PCP incluído) se uniu para ajudar Soares a derrotar Freitas do Amaral.
Foi Presidente entre 1986 e 1996, depois de em 1991 ter sido reeleito com 70% dos votos. Destacou-se como um Presidente interventivo, especialmente no seu segundo mandato, em que criou as famosas presidências abertas, percorrendo o país.
Depois de deixar Belém ainda foi eurodeputado (entre 1999 e 2004) e tentou o regresso à Presidência em 2006, para tentar travar Cavaco Silva. Só que com a esquerda dividida (Manuel Alegre também se candidatou), Cavaco ganhou no primeiro turno e Soares ficou em terceiro, atrás de Alegre, com quem se zangou e só faria as pazes anos mais tarde.
Mesmo afastado dos cargos políticos ativos, Soares manteve a sua influência no PS e uma voz ativa na sociedade portuguesa, tendo sido particularmente contundente no período do Governo de Passos Coelho, em que Portugal esteve sob um programa de assistência financeira. (Do Público)























