Dois projetos que preveem mudanças na Lei Pelé – um da Câmara dos Deputados e outro do Senado, encarados como reformas trabalhistas específicas do futebol.
A Federação Nacional de Atletas de Futebol (Fenapaf), o sindicato da categoria, se opõe às propostas por entender que ambas ferem direitos e “podem precarizar ainda mais a profissão”.
Assim como a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o governo Federal também não respondeu aos protestos dos jogadores, registra reportagem do El País que levantou a discussão em torno do tema.
Mobilizados em torno da Fenapaf, 97 líderes de clubes da primeira à quarta divisão do Campeonato Brasileiro, como Rodrigo Caio e Diego Lugano (São Paulo), Réver e Juan (Flamengo) e D’Alessandro (Internacional), têm mantido conversas sobre as propostas legislativas. Jogadores de destaque da seleção brasileira, como Neymar e Gabriel Jesus, também se mostraram solidários à causa.
De acordo com o presidente da entidade, Felipe Augusto Leite, entre os 40 clubes de primeira e segunda divisões, apenas Paraná Clube e América-MG não integraram as manifestações “por causa de pressões de dirigentes”.
Agora o sindicato consolida um abaixo-assinado firmado por aproximadamente 2.000 atletas profissionais contra as reformas para encaminhar ao Congresso Nacional e à Presidência da República e promete novos protestos em campo.
Entre as mudanças previstas nas reformas que desagradam os jogadores estão o fracionamento da folga semanal e das férias, a divisão do salário em direitos de imagem (sindicato exige 100% da remuneração registrada em carteira de trabalho) e o fim do direito de arena, percentual das transmissões de TV recebido pelos atletas.
“Nosso movimento é contrário aos projetos de lei, não aos clubes”, diz o presidente da Fenapaf. “Retirar direitos dos atletas não vai ajudar a melhorar o esporte brasileiro. As reformas trabalhistas no futebol vão atingir os jogadores mais pobres (82% dos boleiros profissionais no país recebem até 1.000 reais), que são verdadeiros operários da bola. Felizmente, conseguimos acordar a categoria e estamos dispostos a ir às últimas consequências para barrar esses projetos.”



















