“Privatização”, entre aspas ou não, sempre foi um tabu na vida brasileira. Olhando o país desde a redemocratização, todos os governos, de Collor a Dilma, abordaram a questão.
Portanto, não há grandes novidades na recente proposta do governo Temer em vender ativos da União ou realizar concessões para a iniciativa privada. O atual processo tem apenas uma nova roupagem.
Mas não será fácil para o atual grupo no comando fazer avançar a proposta. Como já dito, privatização é algo polêmico no país. Grupos organizados e a esquerda, por exemplo, falam em “setores estratégicos” para defender a manutenção do quadro atual. Também economistas de diferentes correntes questionam os resultados finais do processo.
Há uma importante dificuldade adicional. No modelo político brasileiro, estatais e empresas públicas são utilizadas para a distribuição de cargos – e poder – aos aliados do Planalto. Abririam esses aliados mão desse dispositivo?
Levantamento realizado pelo jornal O Estado de São Paulo e divulgado no último domingo, 27 de agosto, mostra que existem ao menos trinta indicações políticas nas diretorias a serem privatizadas. O embate apenas começa e envolve PMDB, PSDB, DEM e PP, entre outros aliados.
Nem mesmo a disposição de governadores e prefeitos seguirem o exemplo do governo federal muda o quadro.
Sem entrar no mérito da proposta governista, o que fica claro é que o debate político no país segue travado. Andamos em círculos. São necessárias mudanças profundas no sistema para um verdadeiro salto qualitativo. Do contrário, tudo será mais do mesmo.

















