As cartas na mesa

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Em junho, Temer havia se tornado o primeiro presidente brasileiro a sofrer uma denúncia criminal ainda no cargo. Agora também é o primeiro com duas denúncias. A DW consultou alguns especialistas sobre o novo caso Temer e o que poderá acontecer num futuro próximo.

Para derrubar a primeira denúncia, o governo Temer distribuiu cargos e emendas parlamentares para os deputados. A experiência da acusação anterior mostra que a oposição tem pouco poder para impedir esse tipo de cooptação.

Desta vez, a procuradoria acusa o presidente de organização criminosa e obstrução da Justiça. Temer é acusado de ter participado, desde 2002, de um grupo responsável pelo desvio de R$ 587 milhões. A partir de 2016, ele teria passado para um papel de liderança.

A denúncia afirma que ele “dava a necessária estabilidade e segurança ao aparato criminoso, figurando ao mesmo tempo como cúpula e alicerce da organização”. As acusações têm por base gravações, grampos telefônicos e delações.

Ao abordar crimes mais amplos do que a primeira denúncia e apresentar mais provas, a nova peça tem elementos para causar um terremoto no governo, mas a reação inicial no mundo político e de boa parte da imprensa brasileira tem sido de cautela.

Embora o cenário sinalize uma nova vitória de Temer na Câmara, há fatores que podem dificultar a vida do Planalto. “Sempre há a possibilidade de novos escândalos e brigas à medida que a disputa de 2018 se aproxima”, afirmou o analista Gaspard Estrada, da Sciences Po, de Paris

A base também deve pressionar Temer por mais cargos, em especial aqueles ainda em poder do PSDB, partido que se mostrou dividido na votação da primeira denúncia. As energias canalizadas para barrar o processo também devem atrasar a votação de reformas, uma das poucas bandeiras que restam ao atual governo para justificar sua continuidade.

“Não há ninguém no cenário político para enfrentar Temer como Temer enfrentou Dilma”, afirma o cientista político Rodrigo Prando, da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Por enquanto, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, repete a postura adotada no caso da primeira denúncia e não vem se colocando contra o Planalto.

“A efetividade da substituição de Temer é também cada vez mais duvidosa para boa parte do sistema político, mesmo na oposição. A cada dia interessa menos abreviar seu mandato”, afirmou o cientista político Carlos Melo, do Insper.

Nenhuma grande entidade empresarial se manifestou a favor da saída de Temer até agora. “Com sinais, embora ainda tímidos, de recuperação da economia, o incentivo para que o empresariado deseje a saída de Temer é ainda menor”, afirma Prando.

Também não há sinais de qualquer movimentação nas ruas contra Temer, a exemplo do que ocorreu durante a análise da primeira denúncia. Grupos que organizaram manifestações contra Dilma se concentraram nas últimas semanas em atacar Janot e criticar, na internet, parte da direita que se posicionou pela saída do presidente.

No outro lado do espectro político, grupos de esquerda também vêm evitando organizar protestos, limitando-se a participar de manifestações de apoio ao ex-presidente Lula da Silva.

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