Passado o feriado, o Congresso Nacional retoma suas atividades com agenda cheia. Na Câmara dos Deputados, um possível embate entre o presidente da Casa, Rodrigo Maia, e o Planalto, pode esquentar o ambiente. Vamos aos fatos.
Todo presidente da Câmara que se preza tem por hábito trabalhar para conter o ímpeto legislativo do Executivo, e o atual comandante da Casa não é diferente. Com sete medidas provisórias trancando a pauta, numa semana espremida entre dois feriadões, Maia avisou a Michel Temer que somente porá em votação as MPs após a aprovação da emenda constitucional que muda o rito de tramitação das medidas provisórias. Matéria espinhosa para o Planalto, para se dizer o mínimo.
Comenta-se nos bastidores que há um certo enfado no Congresso com a forma como o governo vem operando mudanças na legislação, sem prévia consulta e mínima discussão com a base parlamentar. Maia aproveita esse ambiente desfavorável ao Planalto para novamente demarcar seu distanciamento do presidente Temer.
O líder da Casa chegou de sua polêmica viagem ao Oriente Médio e Europa, com uma comitiva de quase dez deputados, na madrugada de domingo, mas já convocou um esforço concentrado da Câmara, com sessões de segunda a sexta-feira. Desafio para o Planalto.
O agravamento do quadro tem plenas condições de ser evitado, é obvio. No entanto, a atual situação é mais uma clara evidência das dificuldades para fazer avançar sua agenda central, notadamente a reforma da Previdência. Com o final do ano se aproximando, as atenções dos parlamentares se voltam para a votação do Orçamento do próximo ano.
E, claro, deputados e senadores olham para o processo eleitoral que já se desenha no horizonte.
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