Entra governo e sai governo, o anúncio de uma reforma ministerial mexe com os ânimos de todos – aliados, oposição, imprensa e opinião pública. Em um sistema como o nosso, de presidencialismo de coalizão, a questão tem suas delicadezas. O que leva o presidente Temer a realizar esse movimento agora?
É claro que o calendário eleitoral tem grande peso nas alterações no primeiro escalão do governo. Quem for disputar as eleições de 2018 tem até o início de abril para se desincompatibilizar. No caso do presidente Temer, a ideia seria liberar o quanto antes esses potenciais candidatos e, a partir disso, montar um novo time. No entanto, muitos ministros querem esticar a corda e sair do governo no limite do prazo. Isso explica, em parte, o possível “fatiamento” dessa reforma.
As eleições vindouras não são o único motivo das mudanças. Temer precisa fazer um rearranjo em sua equipe. Nesse sentido, o PSDB, partido em grave crise interna e que vem sendo cobrado pelos demais aliados, deve perder espaço nessa recomposição de forças. A saída de Bruno Araújo (PSDB/PE) da pasta das Cidades foi apenas o primeiro passo nesse sentido. Como resultado final, o presidente da República acalma ânimos, compensa parceiros fiéis e ganha musculatura para os próximos embates políticos.
Esses embates, por sinal, têm rosto e nome – são as reformas estruturais, há tempos debatidas. Em especial, falamos aqui da reforma da Previdência. O presidente Temer quer aprovar, a qualquer custo, uma reforma nesse sistema, nem que seja mínima. A reacomodação de forças em sua base é condição fundamental para se atingir esse objetivo. Em tese, os aliados, em especial o Centrão, podem demonstrar fidelidade caso seus pleitos sejam atendidos. O titular do Planalto aposta nesse cenário.
Não se pode esquecer que diversos ministros que continuarão em seus postos o farão apenas para manter o foro privilegiado. Sem mandatos eletivos e investigados pela Lava Jato, eles não podem ser largados à míngua. Mais uma questão estratégica das mudanças em curso no primeiro escalão.
A reforma ministerial amenizará a crise política e ajudará na aprovação da agenda governista? Ainda é cedo para se dizer, mas o que se tem de concreto é que se trata de um dos últimos recursos políticos nas mãos do governo Temer. Talvez seja pouco, muito pouco.
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