Assim como os grupos de centro-direita, a esquerda procura um nome consistente para representá-la nas eleições de 2018. O potencial candidato, na visão desse segmento da sociedade, precisará ser mais estatista e voltado para as questões sociais. O ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes se enquadra nesse figurino.
Advogado e economista, Ciro Ferreira Gomes nasceu em novembro de 1957, em Pindamonhangaba, interior de São Paulo (cidade natal de Geraldo Alckmin). Ainda criança, ele se mudou com a família para o município de Sobral, no sertão cearense. Lá, os Gomes se tornaram uma força política, ocupando cargos importantes. Por sinal, o atual prefeito, Ivo Gomes, é o irmão caçula de Ciro.
Ciro Gomes tem vasta experiência na vida pública. Foi deputado estadual e federal, prefeito de Fortaleza, governador do Ceará, ministro da Fazenda (governo Itamar Franco) e ministro da Integração Nacional (gestão Lula). Disputou ainda a Presidência da República por duas vezes, em 1998 e em 2002. Como se vê, um currículo extenso.
Hoje no PDT, do qual é vice-presidente nacional, Gomes já passou por diversas legendas – nada menos que sete, do PDS ao PSDB. Sob esse aspecto, ele lembra Jair Bolsonaro. Ambos não são homens fiéis a partidos.
O pré-candidato tem no tucano Tasso Jereissati um grande aliado político. Mais do que isso, a relação entre os dois é de sólida amizade, o que já gerou ruídos dentro do PSDB.
O mercado vê a candidatura Ciro com cautela. Crítico feroz do modelo privatista, ele tem falado em “retomar” empresas que tenham sido vendidas para a iniciativa privada. As concessões públicas também estariam em sua mira, caso seja eleito.
Um grande problema para ele é sua personalidade. Em diversas ocasiões, o comportamento mercurial de Ciro Gomes trouxe consequências ruins para suas pretensões políticas. De bate-boca com eleitores em entrevistas a discussões acaloradas com aliados e adversários, Ciro Gomes muito facilmente perde a compostura. Essa sua característica sempre é explorada em momentos de campanha. Não será diferente dessa vez.
No PDT, ele fala em modernizar o velho trabalhismo. Não está claro ainda como isso se dará, mas é inegável que Ciro Gomes tem grande capacidade intelectual para estabelecer um projeto consistente. O período em que esteve em Harvard e sua colaboração com o filósofo Roberto Mangabeira Unger atestam isso.
Enfim, são muitos os obstáculos e desafios para uma candidatura Ciro Gomes. Do reduzido espaço na propaganda em rádio e televisão ao estilo pessoal intempestivo, ele precisará se superar. Do contrário, sua eventual candidatura naufragará mais uma vez.
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