O ditado diz “ano novo, vida nova”, e há quem à meia-noite suba para uma cadeira com o pé direito e coma as passas desejando grandes mudanças na sua vida. Por vezes, as mudanças fazem-se porque algo se altera na vida das pessoas — uma doença, uma morte, um divórcio.
Helena Marujo, especialista em psicologia positiva no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, fala de “três razões maiores”: “Insatisfação com o que se está a viver e como se está a viver; ou inspiração vinda da vida de outros que toca tão fundo que muda o nosso rumo; ou um choque pessoal que traz uma reviravolta às prioridades da vida e traz clareza e consciência que convidam a começar um caminho novo.”
Raquel Tavares mudou da cidade, Lisboa, para o campo, Arruda dos Vinhos. E enveredou por uma vida mais calma. Pertence à direção do Movimento Slow Portugal.
“Abrandar. Não fiz nenhuma mudança radical. Este é um movimento de equilíbrio, que pode ser iniciado com pequenos passos”, explica a autora do livro Slow, as coisas boas levam tempo, e dá alguns exemplos: depois de sair do trabalho, não responder a emails, andar mais devagar, observar as coisas. Estas são pequenas mudanças que podem melhorar a vida de quem as faz. Ter tempo para si, sugere.
Tempo para meditar e respirar. “Perdemos muita energia vital com o stress”, considera Rute Caldeira. Dez minutos de manhã e outros dez antes de deitar, sugere. Mas o que podem a meditação e o saber respirar trazer de mudança? A respiração ajuda a oxigenar o cérebro, a meditação é um tempo pessoal que aumenta a concentração, defende.
E esta é uma rotina que não exige uma mudança radical de vida. “Quando pomos a fasquia muito alta, perdemos a motivação; se dermos pequenos passos, estes podem trazer-nos mudanças gigantes”, defende.
Fazer algo de novo precisa de tempo até se tornar um hábito: alguns estudos dizem 20 dias, refere a investigadora Helena Marujo. “Sem repetição é mais fácil voltar ao habitual.” Por isso sugere que a mudança seja feita com alguém próximo que ajude ou que também queira mudar. “Isso facilita a mudança. Por isso, este ano, veja junto da família e amigos quem quer fazer mudanças semelhantes ou a quem faz sentido a sua vontade e direção da mudança. Escreva as metas e os caminhos. Date e planeie temporalmente quando, como e com quem serão dados os pequenos passos iniciais e os seguintes, e integre a avaliação da mudança e a sua celebração vivida e inequívoca (mesmo aparentemente insignificante) na decisão estratégica”, recomenda.
Rute Caldeira diz que apesar de haver “força e motivação” no início do ano, para mudar de vida é preciso ter um projeto e “muita confiança”, diz, falando da sua história. À medida que ia fazendo formações — por exemplo, esteve na Índia duas vezes, fez cursos de programação neurolinguística —, ia compreendendo que era aquilo que queria fazer, e, como ninguém a conhecia, decidiu criar um blogue e escrever sobre as mudanças na sua vida, os resultados da meditação, os seus projetos.
De repente, os seus textos — fez o curso de Comunicação Social na Universidade Católica — eram partilhados e começou a dar formações, consultas, massagens, a fazer pequenos grupos de meditação. Hoje recebe convites de empresas para dar formação aos colaboradores. (Do Público)





















