A água fresca

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Temer tentou desembarcar anteontem na nascente do Rio São Francisco, na Serra da Canastra, para uma tardia iniciativa a favor do rio e contra a seca. 

Minas, com a sutileza que lhe é própria, repeliu-o com água. Chovia, como se também a natureza destilasse um repúdio acumulado. 

Poderia ter escolhido outro destino, o Vale do Jequitinhonha e o Norte de Minas, que têm padecido de rigorosas secas, a ponto de se desanimarem os fazendeiros de recompor as propriedades, porque serão no ano seguinte, de novo, desfeitas. 

Houvesse um Ministério que não fosse político, Temer poderia, nos dois governos em que foi Vice e agora Presidente, ter desenvolvido um programa conjugado de barragens para armazenar as águas abundantes dos rios no período das chuvas, guardando-as para a seca, bem como uma rede de poços artesianos e estações de captação de energia solar, com economia de água e venda de eletricidade ali gerada. 

Certamente não faltariam os opositores de sempre, como ocorreu quando da transposição das águas do Rio São Francisco, no Nordeste. 

Lá Temer esteve, para inaugurar a obra de outrem, pois ao contrário da afirmativa célebre, Temer nasceu para colher, não para semear. 

Nunca esteve entre aqueles que como nós lutaram por aquela região do País, cujos motivos são de toda a nação. 

A mim, como consultor da União, na Advocacia-Geral da União, coube a honra de redigir o parecer que o então presidente da República assinou comigo e encaminhou ao Supremo Tribunal Federal, sustentando a legalidade e a constitucionalidade da transposição das águas, contestada por um partido político e  rechaçando eu tal absurdo com a seguinte argumentação: 

“O PSOL interpõe a presente ação a favor da seca no Nordeste, fato que só encontra precedente nas imposições do colonialismo inglês durante o domínio da Índia, quando o Império Britânico controlava a extração de sal, a distribuição da água,  o tipo de plantio, as terras a serem utilizadas e a remuneração ínfima do trabalhador local. Desta forma, a defesa que o PSOL faz da seca se equipara à defesa da monocultura, do latifúndio e do trabalho escravo, pela primeira vez feita por um partido nacional, como se representasse o domínio colonialista”. 

Esse partido tomou a iniciativa de tentar perpetuar a seca. 

Temer tem permitido as agruras e sofrimento que ela traz, pela omissão quanto a todas as situações similares existentes no País, preocupando-se somente com a contabilidade e o mercado, sem zelar pelas condições mínimas indispensáveis ao PIB, o produto interno bruto.

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