Duas candidaturas que podem mudar o jogo

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A exatos seis meses da eleição presidencial deste ano, 17 nomes já se colocaram publicamente na disputa. Entre os grandes partidos, além de PSB e MDB, o PT, com Lula da Silva preso, ainda não definiu seu candidato.

De acordo com a legislação, os partidos políticos devem promover convenções nacionais com seus filiados entre 20 de julho e 5 de agosto para que oficializem as candidaturas. A data final para registro das candidaturas pelos partidos políticos na Justiça Eleitoral é 15 de agosto.

Para a cientista política Clarisse Gurgel, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), no atual cenário, são candidaturas como a de Joaquim Barbosa (PSB) e Henrique Meirelles (MDB) que têm mais chances de vitória na atual conjuntura. Embora o ex-ministro da Fazenda já tenha disputado e vencido uma eleição legislativa, sem chegar a exercer o mandato, ambos os nomes poderiam se encaixar no perfil de outsider – ou pelo menos dos que buscam distanciamento dos políticos tradicionais, de acordo com registro da agência DW.

O cientista político Geraldo Tadeu, professor no Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), enxerga uma possível candidatura de Joaquim Barbosa no campo de centro-esquerda. Entretanto, ressalta ainda não ser possível apontar de que forma o ex-ministro do STF se posicionaria em uma campanha presidencial.

“É uma incógnita. A gente não conhece as propostas, até porque o Barbosa não se assumiu como candidato até agora. Ele vem por um partido de esquerda e terá que envelopar suas ideias para conquistar a militância do partido. Mas deve assumir um perfil de centro-esquerda, junto com o Ciro Gomes. É o espaço a ser disputado nesse momento. A esquerda, no sentido estrito, é uma área ocupada e já em disputa, com Manuela D’Ávila (PCdoB), Guilherme Boulos (Psol) e um eventual candidato do PT”, analisa.

O cientista político enxerga em Barbosa um perfil similar ao do ex-presidente Lula da Silva, com a diferença da trajetória acadêmica do jurista. Entretanto, considera prematuro afirmar que votos do petista migrariam para o eventual candidato do PSB.

“O grande celeiro do Lula é o Nordeste, onde as intenções de voto dele vão a 58%. Lá, quem mais cresce com a saída do Lula é o Ciro, que tem sua base no Ceará, o segundo maior colégio eleitoral da região. Ele está mais bem posicionado para herdar os votos de Lula e tem maior cultura política. O outsider está mais ou menos sozinho. Não tem 27 candidatos a governador e outros 300 e tantos para deputado federal. Os mais experientes, com mais entrada, têm toda uma estrutura de apoio, palanques estaduais, que carregam a candidatura no momento da campanha”, diz.

Ambos os analistas ouvidos pela DW Brasil condicionam o sucesso eleitoral da candidatura de Meirelles à existência de um consenso no grupo político à frente do governo. Geraldo Tadeu, do Iuperj, crê numa confluência das candidaturas de Rodrigo Maia (DEM) e Paulo Rabello de Castro (PSC) para a do economista. Ele acredita que Meirelles vai destacar sua atuação individual no campo econômico, em vez de defender algum legado do governo Temer.

“Ele vai tentar se apresentar como candidato da modernidade, que tirou o país da recessão e vai colocar nos trilhos. Além disso, vai tentar caracterizar todos os outros candidatos como populistas. Banalizou-se o termo, e todos que não pensam exatamente como manda o mercado são taxados dessa forma. Não vejo densidade nas outras candidaturas do mesmo campo, e a tendência é que o MDB encampe seu nome. Ele não assinaria a ficha de filiação de graça”, afirma.

O especialista acrescenta que há espaço no eleitorado para assimilação do discurso tecnicista do ex-ministro. “Seria o discurso necessário para ele e tem chances de colar. Eleição depende de conjuntura, um fenômeno muito complexo. Vai depender do processo de saída da crise, recuperação do emprego. É oferta e demanda: cada candidato vai oferecer uma solução para as demandas do eleitor. Não dá para fazer um prognóstico fechado, mas sabe-se que há espaço para o discurso da racionalidade, eficiência, que tem muita adesão nas classes médias. A popularidade dele aumenta demais entre o eleitorado de maior renda”, opina.

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