É do conhecimento geral que a sucessão paulista é fundamental para os destinos do país. Estado mais forte da Federação, com maior número de eleitores, São Paulo é chamada por alguns analistas de “cidadela” do PSDB, dada a força do partido na região.
Os tucanos comandam o estado desde 1994, caso único no Brasil. No entanto, o pleito de outubro próximo poderá mudar esse quadro. Hoje, a disputa está absolutamente indefinida e ao menos quatro grupos têm chances de conquistar o Palácio dos Bandeirantes.
O atual governador, Márcio França (PSB), é nome forte. Além de contar com a máquina, ele tem o apoio de partidos como o PR, o Solidariedade, o PROS, o Podemos e o PPS. Além disso, ele conta com a simpatia do ex-governador Geraldo Alckmin, em plena pré-campanha nacional. França defende que os socialistas apoiem Alckmin na disputa presidencial, mas a cúpula do partido tende a caminhar ao lado de Ciro Gomes (PDT). Contra si, o governador tem o fato de ainda ser pouco conhecido do eleitorado. As eleições de outubro serão seu maior desafio político.
O neo-tucano João Dória é outro nome de peso na disputa. Ele tem a seu lado o DEM, o PSD, o PRB e o PP, que recentemente deixou a coligação de França. Apesar de aparecer bem nas pesquisas, Dória enfrentará muitos obstáculos. Ele não une seu próprio partido, tem em seu currículo o fato de haver deixado a administração da capital ainda em início de mandato e carece de carisma. Sua candidatura ao governo paulista, na verdade, ainda é uma incógnita.
O terceiro postulante é o empresário Paulo Skaf, do MDB. Velho conhecido das elites do estado, ele terá grandes dificuldades para avançar. Seu partido está isolado e deverá caminhar sozinho na disputa, com pouco tempo de propaganda em rádio e TV. Além disso, faltam-lhe carisma e apelo popular. Não está descartada a possibilidade de que ele migre para a eleição ao Senado Federal.
O quarto postulante é o petista Luiz Marinho. Apoiado por Lula e pela cúpula partidária, o sindicalista e ex-prefeito de São Bernardo (SP) tem dois desafios imediatos – romper a desconfiança do eleitorado paulista, historicamente refratário ao PT, e não ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa, pois a Câmara Municipal recentemente rejeitou as contas de sua administração. Tarefas hercúleas.
Está mais que evidente que a incerteza é a palavra de ordem da sucessão paulista. Outros nomes podem entrar na disputa e, como visto, nada garante que os quatro postulantes hoje mais fortes sustentem suas candidaturas. O certo é que será um pleito diferente dos últimos realizados no estado.
A sucessão paulista terá grande peso não somente na disputa presidencial. O próximo titular do Planalto precisará negociar muito com o futuro governador. A tão necessária reforma tributária, por exemplo, só terá condições políticas de avançar com o apoio paulista. Por isso, é importante se acompanhar os movimentos dessa disputa estadual.
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